A Justiça do Rio determinou o afastamento do delegado Robinson Gomes Pereira, da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), da investigação sobre a morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira. A vítima foi baleada durante uma abordagem da Polícia Militar na Pavuna, em abril deste ano.
A decisão é da juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, da 1ª Vara Criminal da Capital. Segundo a magistrada, o afastamento ocorreu “em razão da quebra de imparcialidade na investigação”.
Na decisão, a juíza aponta que, em vez de avançar na apuração dos mandantes do homicídio, o delegado instaurou uma nova investigação para contestar a conclusão da Corregedoria da PM e do Ministério Público, que atribuíram aos policiais militares o disparo que matou o empresário.
Agentes que participaram da abordagem foram presos em flagrante
Os dois policiais envolvidos no caso foram presos em flagrante pela Corregedoria da PM após a análise das imagens das câmeras corporais. O sargento Rafael Assunção Marinho e o cabo Rodrigo da Silva Alves, ambos lotados no 41º BPM, foram denunciados pelo MPRJ por homicídio qualificado.
O delegado da DHC afastado havia marcado uma reprodução simulada para o dia 16 de junho, que foi cancelada pela Justiça. A Delegacia de Homicídios assumiu o caso com a missão de identificar a origem da operação, os homens que orientaram a ação dos PMS e os responsáveis por ordenar o crime.
Delegado abriu uma nova linha de investigação
Segundo a decisão judicial, porém, o delegado direcionou a investigação para questionar a autoria dos disparos.
Em ofício enviado à Justiça em 25 de maio, o delegado informou ter sido procurado por um perito identificado como “Abrantes”, lotado na DHC. Segundo ele, o servidor teria levantado a hipótese de que “o tiro que atingiu a vítima Daniel não partiu dos PMs que estão presos, mas sim de traficantes que estavam no final da rua”.
Com base nessa versão sem laudo pericial, Pereira marcou por conta própria uma reprodução simulada para o caso, sem comunicar previamente o Ministério Público nem solicitar autorização da juíza responsável pelo processo.
As investigações do MP apontam que os PMs monitoraram a movimentação do carro de Daniel por mais de 1 hora, com acesso a informações em tempo real, antes de realizar a abordagem.
Segundo o órgão, não houve bloqueio, blitz nem ordem de parada antes dos tiros, como sustentaram os militares.
Com informações de O Globo.

