Seu Ilton completa 70 anos nesta terça-feira. Por causa da data festiva, nesta segunda-feira precisou encerrar um ciclo que durou quase 30 anos. O segurança aposentado Ilton Borges de Souza doou sangue no Hemorio pela última vez. Foram 41 doações ao longo das últimas três décadas, salvando a vida de pessoas e ajudando quem precisava no momento mais delicado. O doador conta que ficou emocionado.
“Por mim, continuaria doando por mais 30 anos. Mas tem um limite, e cumpri minha missão. Agora é a vez de outros, que possam ajudar as pessoas e deixar seu legado”, afirma ele.
O curioso é que Ilton nem sabia seu tipo sanguíneo. Apenas quando foi doar pela primeira vez, no longínquo ano de 1997, descobriu que era O negativo. O tipo de doador que é mais fundamental, pois seu sangue é compatível com qualquer pessoa. Encontrar um doador O negativo é como achar ouro. E, no caso de Ilton, a mina ficou em operação por um longo tempo.
Cada doação, dependendo do peso do paciente, pode chegar a 470ml. Ou seja, Ilton doou o equipamento a quase 20 litros durante todos esses anos. São quatro vidas que podem ser salvas a cada doação de sangue. O segurança pode ter salvado 164 pessoas ao longo do tempo em que saiu de casa, em Anchieta, desceu na Central do Brasil e caminhou até o Hemorio.
“Sabendo da importância do meu sangue, que é universal, é gratificante demais saber que salva tantas vidas. É uma sensação de dever cumprido, valeu a pena”.
A caminhada de Ilton até a primeira doação de sangue não foi motivada por nenhum acontecimento fora do normal. Ele apenas foi informado pelas campanhas educativas e resolveu virar voluntário.
“Eu me apeguei a fazer isso. Pessoal, façam também. De peito aberto! Não dói nada e pode ajudar alguém”, conta Ilton, que ao longo desses anos também foi doador constante de plaquetas, que são utilizadas em cirurgias, transplantes e transfusões para pacientes com câncer, especialmente leucemia, além de vítimas de acidentes.
O Hemorio, vinculado à secretaria estadual de Saúde do Rio (SES-RJ), é responsável por abastecer o estoque de mais de 100 unidades públicas de saúde em todo o estado.
A despedida do doador foi celebrada com uma festa surpresa preparada pela equipe do Salão do Doador. Ilton foi recebido com bolo, vela de aniversário, camisa do Hemorio, medalha e um broche em homenagem à sua trajetória de solidariedade. A assistente social Vanessa Andrade, que integra a equipe responsável pela promoção da doação de sangue, destacou a importância da fidelização dos doadores.
“Ilton é um exemplo, porque é uma concretização do nosso trabalho. Nós trabalhamos no setor de promoção da doação de sangue, com uma atuação educativa, e o objetivo é fidelizar. Ele é um doador que comparece sempre, atende às nossas solicitações e tem sangue do tipo O negativo, que pode ser transfundido em qualquer paciente. Doadores como ele são muito importantes para o serviço, porque ajudam a manter o estoque e auxiliam pacientes que precisam da doação para o tratamento”, explicou.
Depois de sair da doação nesta segunda-feira, Ilton estava comendo uma saladinha de alface, tomate e cebola. Mas era só a entrada. O aposentado gosta mesmo é de sustança. Uma feijoada, um mocotó e, principalmente, o cuscuz que ele mesmo faz, com carne-seca e linguiça.
O cardápio, porém, mudava na véspera das doações. Não é necessário jejum, apenas evitar alimentos gordurosos quatro horas antes da coleta e não ingerir bebidas alcoólicas nas 12 horas anteriores. Gestantes, lactantes e pessoas que fazem uso de drogas não estão aptos à doação.
Para o coordenador do Salão do Doador do Hemorio, o médico Vicente Januzzi, a história de Ilton representa o impacto que um único cidadão pode ter na vida de muitas pessoas.
“Ele é um exemplo que deve ser copiado pelo máximo de pessoas possíveis. Ao longo dessas décadas, ajudou a salvar dezenas de vidas”, destacou.
Em 2025, o Hemorio coletou 96 mil bolsas de sangue. Este ano, até quinta-feira (12/3), mais de 15 mil bolsas já haviam sido doadas no estado.
Quem deseja doar precisa ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 kg, estar em boas condições de saúde e apresentar documento oficial com foto. Menores de 18 anos devem estar acompanhados de responsável legal e portar autorização disponível no site do Hemorio.
Mais informações estão disponíveis nas redes sociais do Hemorio (@hemorio) ou pelo Disque-Sangue: 0800 282 0708, de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, exceto feriados.

