A Justiça do Rio condenou o colégio Liceu Franco-Brasileiro por omissão em um caso de racismo ocorrido em 2020. A instituição de ensino, localizada em Laranjeiras, na Zona Sul, deverá pagar uma indenização de R$ 80 mil. A ação civil pública foi ajuizada em conjunto pela Defensoria Pública e pelo Ministério Público.
A vítima do crime foi a aluna Ndeye Fatou Ndiaye, que tinha 15 anos e era a única estudante negra da escola. Na época, três colegas da jovem foram indiciados por enviarem mensagens racistas em uma conversa de cinco pessoas em um aplicativo. Dois deles foram indiciados por ato análogo aos crimes de racismo e injúria racial e o terceiro por fato análogo ao crime de injúria racial.
Os outros dois participantes do grupo não foram indiciados porque os investigadores concluíram que os envolvidos apenas riram, o que não comprova um comportamento preconceituoso contra Ndeye. O TJ-RJ reconheceu que o racismo no ambiente escolar não se restringe à esfera individual, alcançando a coletividade e afetando toda a comunidade escolar, o que justifica a condenação por dano moral coletivo.
O caso de racismo contra Ndeye Fatou Ndiaye aconteceu em maio de 2020, durante a pandemia de Covid-19 e ganhou notoriedade após a adolescente relatar o episódio em seu perfil no Instagram. Na época, ela recebeu apoio massivo por tornar o fato público e por lutar contra o preconceito com firmeza.

