A crise no sistema público de saúde do Rio de Janeiro se agrava a cada ano. Dados do IEPS Data mostram que, entre 2005 e 2019, a cidade perdeu 15% dos leitos disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2012, havia 183 leitos para cada 100 mil habitantes. Em 2022, o número caiu para 155, abaixo da média nacional de 164. Agora, em 2024, a situação é ainda mais preocupante: são apenas 149 leitos públicos para cada 100 mil habitantes na capital fluminense.
E o problema não para por aí. Dos 10.057 leitos cadastrados no SUS no Rio, cerca de 1.179 estão fora de operação devido a questões como falta de manutenção, escassez de pessoal e inadequações nas enfermarias. Na prática, isso reduz a média para 131 leitos efetivamente disponíveis por 100 mil habitantes, um cenário que não acompanha o crescimento populacional e a demanda crescente por atendimento médico.
“Estamos cada vez mais distantes de atender as necessidades da população, com leitos impedidos enquanto a demanda só aumenta,” afirma o vereador Pedro Duarte (Novo).
A maior parte dos leitos bloqueados está nos hospitais federais. O Hospital Geral de Bonsucesso é o mais afetado, com 197 leitos fora de operação, seguido pelo Hospital Federal da Lagoa, que enfrenta o mesmo problema em 67 leitos. Situação semelhante ocorre no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, com 68 leitos bloqueados, e nos institutos nacionais do Câncer (52) e de Traumatologia e Ortopedia (53). O Hospital dos Servidores contribui com mais 63 leitos inativos.
“Esses números mostram uma crise de gestão e integração. É inaceitável ter tantos leitos fechados, enquanto a população sofre nas filas do SUS,” critica Duarte.
O impacto direto recai sobre mais de 3 milhões de cariocas que dependem exclusivamente do SUS. Em 2022, o investimento médio em saúde no Rio foi de apenas R$ 521 por habitante, deixando a cidade na 16ª posição entre as capitais brasileiras em gastos com saúde pública. Esse cenário, somado à limitação de recursos operacionais, coloca os moradores em uma situação de vulnerabilidade crescente, com menos leitos disponíveis e atendimentos aquém da demanda real.
A população segue aumentando, a pressão sobre o sistema de saúde cresce, enquanto a infraestrutura não consegue acompanha a demanda.