Preso desde terça-feira (06) em Balneário Camboriú, em Santa Catarina, o dono de uma agência de turismo esportivo com sede na Barra da Tijuca acumula dívidas milionárias e cerca de 600 processos na justiça. O empresário Fernando Sampaio de Souza e Silva, de 36 anos, é acusado de estelionato por vender pacotes de viagens para grandes eventos esportivos através de sua empresa, a Outsider Tours.
As denúncias começaram em 2022, quando centenas de torcedores do Flamengo que compraram pacotes para Guayaquil, no Equador, não conseguiram embarcar para assistir à final da Libertadores. Cerca de 1,3 mil pacotes com voos, hospedagem e ingresso foram vendidos por valores entre R$ 14 mil e 25 mil, mas centenas de clientes não conseguiram usar o serviço.
Só em um dos processos, envolvendo uma empresa de turismo da Bahia, a Outsider deve R$ 5,9 milhões.
Agência acumula dívidas milionárias em mais de 20 estados
O problema se repetiu em outros pacotes vendidos pela agência carioca, que já mudou de endereço pelo menos quatro vezes, segundo informações do portal “g1”. Os processos judiciais envolvem empresas e clientes de 21 estados brasileiros e do Distrito Federal que fizeram contratos com a Outsider.
Segundo a maior parte das denúncias, a agência de Fernando costumava atrair as vítimas com ofertas de pacotes com preços muito inferiores à média do mercado. Ele entregava parte dos serviços contratados, mas não chegava a cumprir com tudo que era estabelecido no contrato.
As denúncias também apontam que o empresário deliberadamente usava CNPJs de empresas em nome de pessoas próximas em algumas transações, além de dificultar a identificação de bens em seu nome para dificultar o ressarcimento para vítimas em casos de derrota na Justiça.
Fernando já foi indiciado duas vezes pela Polícia Civil do Rio. Entre os autores de queixas contra ele na polícia fluminense está o ator Márcio Garcia, que afirma ter sido contratado para divulgar a agência nas redes em troca de um pacote de viagens avaliado em R$ 17,2 mil. Na hora de usar o pacote e embarcar em um voo, o ator descobriu que as passagens não estavam compradas e precisou arcar com valores do próprio bolso.
O empresário, que estava foragido, era alvo de um mandado de prisão expedido pela Justiça do Pará e foi localizado durante uma viagem à Santa Catarina. A defesa dele ainda não se posicionou publicamente após a prisão.
No ano passado, em depoimento à TV Globo, o empresário negou as acusações de estelionato e disse que a falta de bens para ressarcir as vítimas seria uma prova de que não aplicou golpes ou teve benefício financeiro com os casos.

