Não é de hoje que deputados estaduais governistas andam às turras com o secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes. O caldo entornou quando os nobres souberam que o coronel vai disputar uma cadeirinha na Assembleia Legislativa — ou seja, será um concorrente.
Daí que virou questão de honra para a tropa parlamentar impedir que o moço emplaque sua sucessora quando deixar a pasta — o que deve acontecer até esta sexta-feira (20). A base alega que Menezes tem mais de 50 mil militares sob o seu comando. E que a continuidade faria com que ele mantivesse o poder sobre esse provável (e gigantesco) eleitorado.
O suficiente para desequilibrar a disputa.
A turma uniu esforços para impedir que Menezes indique sua substituta. Querem que o governador — seja ele Cláudio Castro (PL) ou quem assumir a cadeira quando ele sair — nomeie alguém técnico, e neutro, para tocar o cargo de alta relevância na pauta da Segurança Pública. Uma mina de ouro eleitoral.
O fato é que o coronel foi um dos três únicos secretários que não receberam as instruções para a apresentação dos substitutos. Os outros foram André Moura, de Governo (que vai voltar para o Sergipe); e Vinícius Farah, de Desenvolvimento Econômico (cuja vaga volta ao domínio do União Brasil).
Menezes indicou sua chefe de gabinete
O secretário da PM queria deixar sua chefe de gabinete, a coronel Gabryela Dantas, em seu lugar.
Para quem não está ligando o nome à pessoa, Gabryela foi a porta-voz da PM exonerada por Cláudio Castro, quando ainda governador interino, em 2020, por ter publicado um vídeo nas redes sociais da corporação atacando um repórter dos jornais “O Globo” e “Extra”.
Ao deixar o posto, ela foi nomeada comandante do 23º BPM (Leblon). Também ocupou os postos de assessora jurídica da PM e diretora geral de Odontologia.
Uma mulher entre os cotados para assumir a Polícia Militar
Entre os cotados para assumir o lugar de Menezes está a coronel Pricilla Azevedo, a primeira mulher a comandar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Santa Marta, em 2008. Foi também a primeira mulher a assumir o comando de um batalhão de área tradicional, o 6º BPM (Tijuca).
Atuou ainda como coordenadora das UPPs, e também esteve nomeada como secretária estadual de Assistência à Vítima. Hoje está sem cargo definido na PM ou no governo.

