O grupo dono da varejista Casa & Video obteve na Justiça uma proteção temporária contra credores, por 60 dias. A decisão suspende cobranças enquanto a empresa tenta renegociar dívidas e é vista no mercado como um movimento preparatório para um possível pedido de recuperação judicial.
A medida foi concedida pela 1ª Vara Empresarial do Rio, em processo que tramita em segredo de Justiça. Atualmente, a Casa & Video mantém 226 lojas em operação.
Fontes próximas à companhia afirmam que o negócio continua gerando caixa, mas enfrenta forte pressão do cenário econômico. Entre os fatores citados estão os juros elevados, a concorrência do comércio eletrônico e mudanças no padrão de consumo, como o avanço das apostas on-line, que reduzem a renda disponível do público atendido pela rede.
De acordo com a coluna “Capital”, do jornal “O Globo”, a empresa alegou à Justiça que atravessa dificuldades decorrentes de “choques sistêmicos no setor varejista”, intensificados pela alta da taxa Selic. Segundo o grupo, o aumento dos custos financeiros e a perda de poder de compra das classes C, D e E afetaram a liquidez da operação.
Endividamento elevado foi causado pela falta de faturamento das lojas Casa & Video
A companhia informou que o desempenho de 2025 ficou abaixo do previsto e também inferior ao registrado em 2024.
As vendas somaram R$ 1,82 bilhão nos nove primeiros meses de 2025, queda de 6,5% na comparação anual. O comércio eletrônico avançou 12,3%, mas respondeu por apenas 16,1% da receita. No mesmo período, o prejuízo líquido aumentou 80%, alcançando R$ 246 milhões.
A dívida líquida chegou a R$ 689,1 milhões em setembro, alta de quase 9% em 12 meses. Segundo o último balanço, a empresa vem alongando seus compromissos por meio de empréstimos e notas comerciais.
O grupo responsável pela Casa & Video afirma já ter superado crises anteriores com apoio de mecanismos de proteção judicial.

