Exonerado do cargo horas depois da Polícia Federal deflagrar a segunda fase da Operação Unha e Carne, em dezembro do ano passado, Márcio Bruno Carvalho voltou à folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A nova nomeação foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (08).
À época, Márcio Bruno exercia a função de assessor especial de plenário do então presidente Rodrigo Bacellar (União). Tanto a exoneração quanto o retorno à Alerj ocorreram durante a gestão interina de Guilherme Delaroli (PL).
Com a nova nomeação, Márcio passa a receber um salário de R$ 10.208,22. Além disso, o valor pode subir em até R$ 2.940 com o auxílio-alimentação e, caso tenha filhos em idade escolar, em mais R$ 1.500 por criança com o auxílio-educação.
Márcio teve cargo na Prefeitura de Cambuci, onde Bacellar é citado em investigação
Antes de retornar à Assembleia Legislativa, Márcio Bruno Carvalho teve passagem pela Prefeitura de Cambuci, no interior do estado. O município é alvo de investigação do Ministério Público baseada em uma delação premiada feita em 2010, que cita o presidente afastado da Alerj.
Nos depoimentos, políticos locais afirmaram que Bacellar exercia influência direta sobre a administração municipal, mesmo sem ocupar cargo formal, e que aliados próximos passaram a ocupar postos estratégicos na prefeitura. Durante o período investigado, Márcio assumiu a Secretaria Municipal de Trabalho e Renda.
Segundo os relatos reunidos pelo MP, o grupo teria atuado nos bastidores da gestão, com interferência em decisões administrativas e no setor de licitações. As delações apontam que Rodrigo Bacellar e seu pai, Marcos Bacellar, teriam acertado com o então prefeito Oswaldo Botelho, o Vavado, o pagamento de cerca de R$ 160 mil por mês para exercer controle sobre a administração municipal.

Márcio retorna à Alerj como chefe de gabinete de Bacellar, substituindo Igor Gomes de Azevedo, que é ex-vereador suplente de Campos dos Goytacazes pelo União Brasil, partido do presidente afastado.


