O Ministério Público Federal (MPF) solicitou informações, nesta última quinta-feira (03), ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sobre as medidas que serão adotadas para assegurar reparação histórica aos escravizados que participaram do replantio da Floresta da Tijuca no século XIX.
Entre as sugestões para valorização da memória desses trabalhadores, está a construção de um memorial com destaque no parque, além da divulgação de seus nomes e biografias.
Assinado pelo procurador da República Sergio Gardenghi Suiama, o ofício foi motivado pela recente sanção da Lei que incluiu no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro os nomes de 11 pessoas escravizadas que atuaram diretamente no reflorestamento da área: Eleutério, Constantino, Manoel, Mateus, Leopoldo, Maria, Sabino, Macário, Clemente, Antônio e Francisco.
A lei foi aprovada por unanimidade na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e promulgada em 19 de março de 2024. Ela reconhece a importância histórica da contribuição desses homens e mulheres negros e escravizados para a preservação ambiental da capital fluminense.
Esses trabalhadores escravizados foram responsáveis por plantar mudas e cuidar do desenvolvimento da nova vegetação, após a destruição da cobertura florestal original, causada, principalmente, pela expansão das lavouras de café. O reflorestamento foi ordenado pelo imperador Dom Pedro II como forma de garantir o abastecimento de água à cidade do Rio de Janeiro, cuja população enfrentava sérios problemas de escassez hídrica em decorrência do desmatamento das matas que protegiam as nascentes.
O MPF encaminhou o pedido à chefia do Parque Nacional da Tijuca, fixando prazo de 30 dias para que o ICMBio responda ao ofício.