Conseguir uma resposta no “zap zap” do prefeito Eduardo Paes (PSD) não parece ser uma tarefa fácil. Vereadores da oposição que o digam. O clima nas sessões de segunda (1º) e quarta-feira (2), na Câmara do Rio, foi de irritação crescente com o mutismo do executivo diante dos requerimentos de informação enviados por parlamentares. Afirmam que prefeitura só “visualiza e some”.
Quem puxou o fio foi Paulo Messina (PL), que na terça mandou o recado no microfone:
“Não vou passar quatro anos aqui sendo cerceado no meu direito. O executivo pode responder quando quiser, mas tem que dizer quando. Se não responder, vou usar a Lei Orgânica e vou lá pegar a informação na marra. A lei me garante isso”, reclamou.
Pesquisa política de Paes é lembrada
Já nesta quarta (2), foi a vez de Poubel (PL) engrossar o coro. Lembrou da contratação, sem licitação, de empresa de pesquisa para monitoramento de projetos da prefeitura, com perguntas em seu conteúdo. O requerimento questionando o tema também jamais fora respondido, afirma.
“O prefeito contratou uma empresa por R$ 4 milhões para saber em quem o carioca votou, mas não respondeu aos nossos requerimentos. Eu também fui eleito pelo povo. E vou fazer o que o Messina falou: vou buscar na fonte. Isso aqui virou a prefeitura da visualização e do vácuo”, emendou.
O presidente da sessão extraordinária, William Coelho (DC), tentou manter o tom institucional, mas admitiu que também está sendo ignorado, mesmo não sendo propriamente da bancada oposicionista..
“Tenho quatro requerimentos de informação desde o ano passado. Não é só falta de consideração, é falta de respeito com esta casa”, reclamou.
E o caldo entorna ainda mais quando se lembra que, em meio à correria de votações e emendas de última hora, como ocorreu nesta semana, comissões dependem dessas respostas para emitir pareceres técnicos. Messina resumiu: “Quem sai perdendo é a comissão.”
Placar do vácuo de Eduardo Paes
O placar até agora está assim: Fernando Armelau (PL) com 33 requerimentos protocolados, 14 sem resposta. Poubel já protocolou oito — nenhum respondido. William Coelho, quatro no vácuo.
Enquanto isso, os parlamentares reclamam que os requerimentos seguem se acumulando nas gavetas da Prefeitura — sem prazo, sem protocolo e sem resposta.