A lista encontrada pela Polícia Federal na mesa de cabeceira do contraventor Adilsinho, preso em fevereiro deste ano, reunia o nome de 61 políticos. Segundo as investigações, a lista registrava “supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de capitais”.
Somados, os valores citados ultrapassam os R$ 20 milhões.
Os documentos foram apreendidos em 2022 e deram início a uma série de investigações, que miravam empresas gráficas contratadas por campanhas eleitorais. As anotações do bicheiro podem indicar que candidatos foram beneficiados por recursos obtidos através do jogo do bicho.
Segundo a PF, esses 61 políticos citados nas planilhas não foram alvo das buscas realizadas neste mês. A 5ª fase da Operação Unha e Carne teve início no dia 2 de julho e teve entre os alvos de mandados de prisão o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, o pastor Marcio Poncio, pai da deputada Sarah Poncio (SDD) e o contraventor Adilsinho.
Outros alvos da Operação Unha e Carne foram o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral (SDD), filho do ex-governador Sérgio Cabral e pré-candidato a deputado estadual; o delegado e ex-secretário da Polícia Civil, Marcus Amim e o ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado, Márcio Canella (União).
Seis gráficas teriam sido usadas pelo grupo criminoso de Adilsinho
- Gráfica Editora Completa;
- Nova Visual Representações Gráficas;
- INC Indústrias Gráficas e Editora;
- Apel Gráfica e Editora;
- Fast Gráfica e Editora;
- Paper Color Gráfica e Editora.
De acordo com a PF, a suspeita é de que essas empresas eram contratadas para produção dos materiais de campanha dos candidatos a cargos políticos, mas que o pagamento era realizado pelo grupo ligado ao jogo do bicho. As planilhas apreendidas indicavam duas modalidades de pagamento: “em espécie” e “no banco”.
A Gráfica Editora Completa teria atendido 73 candidatos e movimentado mais de R$ 1,4 milhão. Quase a totalidade do valor teria origem em recursos públicos destinados às campanhas.
As empresas foram alvo da Operação Unha e Carne, mas quatro delas já haviam sido investigadas pela PF em 2022. As investigações revelam que Adilsinho e pessoas de sua confiança mantinham intensa relação financeira com os proprietários dessas empresas.
Entre os documentos analisados pela PF, estão as prestações de contas entregues pelos candidatos à Justiça Eleitoral. Os dados das planilhas teriam correspondência com os valores declarados oficialmente, o que reforça a hipótese de financiamentos ilícitos.
Com informações de “G1“.

