Na política fluminense, o ditado popular “quem tem padrinho não morre pagão” ganhou uma atualização em dose dupla: quem tem pai deputado e mãe vereadora não fica sem cargo comissionado. Lembra daquela “limpa” promovida pela Casa Civil no início da semana? O secretário Flávio Willeman passou o rodo na máquina estadual, assinando 50 exonerações — e o Detran-RJ foi o principal palco da dança das cadeiras.
Entre os atingidos pela tesoura de segunda-feira (08) estava Andresa Maria Ferreira Lins, que ocupava a vaga de assistente III na assessoria de Comunicação Social da autarquia. Mas a tristeza de perder o cargo com símbolo DAI-5 durou menos de 48 horas. No Diário Oficial do dia 10, operou-se o milagre da reversão administrativa. O governo publicou um ato que tornou sem efeito a demissão de Andresa.
Na prática, a exoneração foi deletada do sistema, e ela volta a figurar nos quadros do Detran como se nada tivesse acontecido. Se bem que, aliás, colegas de trabalho relatam que Andresa atuava em regime bastante flexível; e era uma figura rara de se ver batendo ponto por lá.
Para quem se pergunta de onde vem tanto prestígio para reverter um ato governamental em tempo recorde, a árvore genealógica pode ajudar a explicar — embora o governo interino do desembargador Ricardo Couto venha tentando se desvencilhar da pecha das indicações políticas: Andresa é filha do experiente deputado estadual Dionísio Lins e da vereadora Vera Lins.
COM FÁBIO MARTINS



