O deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos) parece ter decidido manter um pé em cada canoa na disputa política do Rio de Janeiro. Em menos de uma semana, o ex-prefeito apareceu tanto no lançamento da pré-candidatura de André Português quanto no ato político de Anthony Garotinho. Os dois brigam pela legenda do Republicanos para a eleição ao governo do estado em outubro.
Mais que uma onipresença quase folclórica, a movimentação de Crivella evidencia a divisão no Republicanos e reforça a imagem de um partido ainda sem rumo para 2026.
A situação ganha contornos ainda mais curiosos porque, nos bastidores, existe também a possibilidade de aproximação entre Republicanos e Eduardo Paes (PSD). O ex-prefeito do Rio é o mais adiantado no flerte com o partido, que poderia ampliar (e consolidar) sua aliança.
Paes mantém interlocução aberta — e animada — com líderes ligados à Igreja Universal e à legenda.
Crivella teve as contas aprovadas graças a uma articulação comandada por Paes
O fato é que Paes e seu principal adversário, Douglas Ruas (PL), vêm cortejando caciques do Republicanos — que vive uma guerra silenciosa entre Garotinho, André Português, Crivella e até o ex-prefeito de Belford Roxo e ex-presidente estadual Wagner Carneiro, o Waguinho.
Nos corredores da política carioca, a aproximação entre Paes e Crivella chama atenção também pelo histórico recente. Em 2023, vereadores da base governista de Eduardo Paes atuaram para aprovar as contas da gestão do agora deputado federal na Prefeitura do Rio — movimento visto na época como um gesto de pacificação institucional entre antigos adversários políticos.
Com Crivella circulando entre diferentes grupos, aliados e adversários já ironizam: dizem que o ex-prefeito tenta atravessar a tempestade eleitoral equilibrado em três embarcações ao mesmo tempo.

