A Polícia Federal afirmou, no relatório que indiciou o presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj) Rodrigo Bacellar (União), que ele participava de um núcleo fechado que utiliza aparelhos conhecidos no jargão policial como “celulares bomba” para manter comunicações restritas.
Segundo a PF, “tais dispositivos, por não estarem associados ao titular da linha ou por operarem em circuitos reduzidos, tendem a limitar a rastreabilidade de contatos, dificultar a obtenção de dados dos fluxos de comunicação, conteúdos presentes no aparelho e as reais interações mantidas pelo usuário”.
O que chamou a atenção dos investigadores foi o padrão identificado no aparelho analisado: todos os números salvos pertenciam à mesma operadora e utilizavam a mesma foto de perfil.
“Esse padrão indica que o dispositivo era utilizado exclusivamente para comunicação com um grupo restrito/fechado”, descreve a PF.
A investigação também aponta que Bacellar enviava diversas mensagens para um segundo aparelho sob sua posse, encontrado em seu veículo oficial — o que, na avaliação dos investigadores, pode ter contribuído para fragmentar o fluxo de comunicação.
Uso de aparelho bloqueador de sinal telefônico e de nome falso em reserva de hotel apontam tentativa de evitar rastreamento
A investigação identificou que Bacellar usava um “jammer”, um equipamento para bloqueio de sinal, em seu gabinete. O dispositivo evita grampos, bloqueando a captação do conteúdo sonoro do ambiente na presença de microfones.
Outro comportamento destacado pela PF refere-se ao uso de nomes de terceiros em reservas de hospedagem. Segundo o relatório, a prática “ao que tudo indica, tinha como finalidade evitar a associação direta do nome de Rodrigo Bacellar ao local de permanência ou às pessoas com quem pudesse se encontrar”.
A conduta foi identificada no episódio em que o deputado viajou a Brasília, em agosto de 2025.
Em dezembro, Rodrigo Bacellar foi preso por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão de TH Jóias, em setembro.
Com informações do jornal “O Globo”.

