Preso nas investigações sobre vazamento de informações para o Comando Vermelho, o desembargador Macário Judice Neto pagou R$ 3 mil por um voo do Rio para São Paulo para se reunir com o ex-presidente Michel Temer. O encontro, segundo a Polícia Federal, teria como objetivo tentar acesso ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
As informações constam no relatório final da Operação Unha e Carne, realizada pela PF em dezembro de 2025. O documento foi encaminhado ao STF e levou ao indiciamento de Rodrigo Bacellar, presidente afastado da Assembleia Legislativa do Ri (Alerj), e do ex-deputado TH Joias.
De acordo com a PF, Macário viajou às pressas para São Paulo no mesmo mês, em um deslocamento considerado atípico. A expectativa dele era que Temer intercedesse em seu favor junto a Moraes — indicado ao STF pelo ex-chefe do Planalto — para tentar “frear” as investigações, como mostram conversas interceptadas pela Polícia Federal.

Desembargador poderá ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR)
As mensagens indicam que, após o encontro, o desembargador comentou com a mulher que recebeu orientações para evitar atitudes que pudessem chamar a atenção dos investigadores. Procurado, Temer afirmou que “desconversou” e disse acreditar que o magistrado buscava apoio para uma candidatura ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A PF também apreendeu um arsenal com 13 armas de fogo em endereços ligados ao desembargador, incluindo um fuzil calibre 5.56 de uso restrito, quatro espingardas calibre 12, cinco pistolas, dois revólveres e diversas munições. Apenas no Rio, foram recolhidos um fuzil 5.56 com carregadores e 100 munições e uma pistola 9mm com três carregadores e 20 munições.
Os crimes não foram imputados pela PF justamente em razão do cargo ocupado pelo magistrado e das regras previstas na Lei Orgânica da Magistratura. Assim, os achados da operação relacionados a Macário foram encaminhados à Procuradoria-Geral da República (PGR), que decidirá se apresenta ou não denúncia.
As informações são do jornal “O Globo”.

