Uma ação da Secretaria de Meio Ambiente de Armação dos Búzios foi motivo de polêmica no município. A prefeitura realizou a derrubada de uma cerca de madeira em frente ao imóvel da ambientalista e servidora aposentada Denise Morand, que trabalhou como arquiteta da própria prefeitura. Segundo os fiscais, a construção não tinha autorização do poder público. A aposentada, no entanto, afirma que tem a permissão há décadas e acredita que a ação pode ter tido motivação política.
A cerca no entorno do imóvel já estava instalada há cerca de 40 anos, segundo os moradores. Os técnicos do município disseram não ter identificado permissões para a permanência da estrutura no local.
Denise, por sua vez, conta que os agentes da Prefeitura de Búzios chegaram sem nenhum documento para justificar a derrubada. Não houve notificações prévias. Segundo a moradora, os agentes não apresentaram justificativas de risco iminente para explicar a remoção imediata da cerca.
“Fiquei muito surpresa, porque trabalhei como arquiteta da Prefeitura de Búzios desde antes da emancipação. Amo esta cidade e fiz muitos projetos de escolas, postos de saúde, policlínica, praças; sempre com ênfase no meio ambiente, que é nosso atrativo principal e o que rege a qualidade de vida dos moradores. Tive atritos com o poder público no passado, mas, desta vez, acho que foi abuso de poder”, afirmou Denise.
A moradora disse que vai procurar as autoridades competentes para apurar a ação e, eventualmente, cobrar a responsabilização dos envolvidos.
Sepe afirma que ação pode ter sido motivada por atuação de moradora como ambientalista em Búzios
O episódio chamou a atenção de lideranças e instituições locais — entre elas, o Sindicato de Profissionais de Educação do município (Sepe-Búzios), que, em nota, afirmou que a ação foi motivada pela ação da ambientalista na instituição Cidadania Buziana. Denise faz parte da organização civil, sem fins lucrativos, que atua com ações sociais de acompanhamento de gestão público.
“Denise integra uma entidade da sociedade civil que vem denunciando irregularidades na gestão ambiental do município. Outros membros da cidadania buziana relatam episódios de pressão institucional, o que reforça a percepção de perseguição contra defensores do meio ambiente, em especial mulheres. Diante desse contexto, a atuação narrada pode configurar violência política contra a mulher”, afirma a nota.
Procurada, a Prefeitura de Búzios não respondeu sobre o episódio até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para atualização.

