O mercado imobiliário entra em 2026 sustentado por dois vetores principais: a manutenção da força do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), em todas as suas faixas de renda, e a expectativa positiva em torno dos imóveis de menor valor, a menina dos olhos dos compradores de primeira viagem — e, claro, dos investidores de olho no aluguel de curta temporada.
O MCMV continua exercendo papel fundamental na dinâmica do mercado imobiliário nacional. A ampliação das faixas de renda atendidas e a revisão dos tetos de financiamento reforçaram o alcance do programa, permitindo que um número maior de famílias tenha acesso ao crédito habitacional.
“Os ajustes nas regras do MCMV aumentaram sua atratividade, com destaque para a estabilidade dos subsídios, os incentivos fiscais e a maior facilidade na aprovação dos financiamentos. Esses fatores têm impulsionado a inclusão habitacional e atraído novos compradores para o mercado formal, ajudando a manter níveis consistentes de demanda, mesmo em momentos de maior pressão econômica”, diz o presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-RJ), Leonardo Mesquita.
MCMV e incentivos municipais aceleram venda de imóveis no Centro, Zona Norte e Oeste
Para a indústria da construção civil, o programa representa um importante fator de estabilidade, conforme aponta estudo da Brain Inteligência Estratégica. A previsibilidade na demanda permite que as construtoras planejem seus lançamentos com mais segurança e mantenham o ritmo de produção, mesmo quando outros segmentos do mercado apresentam maior volatilidade. O efeito se estende por toda a cadeia produtiva, sustentando empregos, investimentos e consumo.
“Cada ajuste bem feito no MCMV destrava obra, gera emprego e movimenta toda a cadeia da construção civil. É um programa que ajuda a sustentar o mercado mesmo em cenários econômicos mais desafiadores, e isso é fundamental para o Rio. E é muito importante destacar o maior benefício dessa nova lei: conseguiremos aumentar a oferta para as pessoas que procuram e dependem de Habitação de Interesse Social para realizar o sonho da casa própria”, diz o vereador Pedro Duarte (sem partido), autor da lei.
O presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-Rio), Claudio Hermolin, aponta quais as regiões da cidade tendem a crescer mais em 2026.
“O Centro vai continuar sendo, sim, um lugar de destaque dada a consolidação do programa Reviver. A Zona Norte entra no radar, não só por conta do Plano Diretor, que cria incentivos para a região, mas também pela nova lei do Minha Casa Minha Vida. Teremos também como destaque São Cristóvão, que passa a ter os mesmos incentivos e benefícios que o Porto Maravilha.
Além, obviamente, da Zona Oeste, onde passaremos a ter um crescimento nos loteamentos populares, até então sem incentivo nenhum, e agora passam a ter benefícios dentro da nova lei da habitação de interesse social”, diz Hermolin. “Não deixando obviamente do que sempre foi atrativo no mercado imobiliário do Rio, seja para os moradores da cidade, do Brasil, e até investidores de fora do país, a nossa Zona Sul, principalmente Ipanema e Leblon”.
Outro destaque nas tendências do mercado imobiliário para 2026 são os imóveis compactos, especialmente as unidades de menor valor. Esses produtos se consolidaram como uma porta de entrada tanto para compradores do primeiro imóvel quanto para investidores em busca de renda (leia-se aluguel de curta temporada).
“A combinação entre preços mais acessíveis, boa liquidez e demanda consistente vai manter os negócios aquecidos ao longo do ano”, diz Mesquita, que também é vice-presidente de Negócios da Cury Construtora, principal empresa do segmento de compactos no Rio.

