A região que liga o Porto Maravilha a São Cristóvão deve ganhar, nos próximos meses, um dos maiores lançamentos residenciais recentes do Rio. No terreno onde funcionou a Companhia de Luz Esteárica — fábrica do século 19 fundada pelo Barão de Mauá — a incorporadora Cury prepara um conjunto de 1.700 apartamentos que chega com uma proposta pouco comum no mercado carioca: cada unidade virá acompanhada de uma bicicleta elétrica.
A estratégia é uma tentativa de compensar a baixa oferta de vagas de garagem. Apesar do porte do empreendimento, estimado em cerca de R$ 600 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV), o projeto contará com apenas 70 vagas para carros.
A parceria com a Lev prevê abastecer o condomínio com uma frota de bikes elétricas equivalente ao número de apartamentos. As informações são do jornal “OGlobo”.
Além das bicicletas, o empreendimento aposta na localização próxima ao Terminal Gentileza para garantir a mobilidade
O projeto ficará a poucos metros do Terminal Gentileza, ponto de integração entre BRT, VLT e ônibus urbanos, o que reforça a aposta em modais alternativos ao automóvel.
O lançamento está previsto para janeiro e se insere no pacote de incentivos urbanísticos conhecido como “porto estendido”, que amplia para São Cristóvão os benefícios antes restritos à Região Portuária.
Terreno acumula histórico de projetos frustrados
O quarteirão onde será construído o Luzes do Rio tem cerca de 18 mil metros quadrados e acumula projetos frustrados ao longo das últimas décadas.
Em 2013, a americana Tishman Speyer avaliou erguer ali um complexo corporativo de alto padrão, mas desistiu em 2021. A área chegou a ser ofertada pela Sérgio Castro Imóveis e até foi ventilada como possível destino da Cidade do Samba 2, proposta que nunca saiu do papel.
Parte dos galpões originais será restaurada, incluindo a antiga chaminé da fábrica, para preservar um pedaço da memória industrial do bairro. O conjunto, no entanto, não é tombado.

