O vereador Salvino Oliveira (PSD) deixou, na tarde desta sexta-feira (13), a Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, por determinação do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ). O parlamentar estava preso desde quarta-feira (11), mas teve o pedido de habeas corpus aceito pelo desembargador Marcus Henrique Pinto Basílio e passará a responder ao processo em liberdade.
“Agora, não pense que vai ficar assim. Esses que tão trabalhando de maneira tão esquisita para prender opositores políticos agora devem ser investigados, e a gente vai cobrar que a Justiça alcance essas pessoas que me trataram dessa maneira”, disse o vereador na saída do presídio.
De acordo com a decisão, Salvino ficará proibido de se ausentar do estado do Rio por mais de 15 dias sem autorização e não poderá manter contato com outros investigados. Contudo, como não solicitou afastamento ou licença do mandato, ele poderá retornar à Câmara de Vereadores na próxima semana.
Os motivos que levaram à prisão de Salvino Oliveira
O parlamentar foi preso em uma operação da Polícia Civil que investiga o suposto envolvimento de políticos e agentes públicos com o Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, ele teria negociado quiosques na Gardênia Azul com traficantes da comunidade em troca de apoio para sua campanha nas eleições municipais de 2024.
Além disso, a investigação aponta supostas movimentações financeiras atípicas do vereador, que somam mais de R$ 100 mil, incluindo 11 depósitos em dinheiro vivo. O esquema envolveria também um assessor do gabinete do parlamentar e sua esposa, ligados a uma empresa com movimentação de R$ 35 milhões em dois anos, atualmente investigada no processo.
Defesa do vereador do PSD nega todas as acusações
A defesa de Salvino, por sua vez, nega todas as acusações envolvendo a negociação de quiosques na Gardênia Azul e critica o que chamou de “condições confusas da prisão do parlamentar, ao descrever diversas condutas criminosas sem identificar os acusados e sem atribuir a cada um suas responsabilidades”.
Sobre as movimentações financeiras consideradas suspeitas, a defesa afirma que a Polícia Civil alega possuir um Relatório de Inteligência Financeira (RIF), mas ressalta que o documento não faz parte do processo que motivou a prisão, expedido oficialmente em 3 de março.
“A assessoria desconhece a existência do relatório, o que é grave e viola o direito à ampla defesa de qualquer acusado em um estado democrático de direito. Por fim, é absolutamente inverossímil que Salvino Oliveira tenha realizado qualquer movimentação desse vulto ou tenha relação com empresas, fintechs ou lavagem de dinheiro”, finalizou a equipe do vereador.

