O futuro da icônica Padaria e Confeitaria Rio-Lisboa, no Leblon, ganhou uma nova camada de proteção legal nesta sexta-feira (06). O prefeito Eduardo Paes publicou, no Diário Oficial, o decreto que inclui formalmente o imóvel da Avenida Ataulfo de Paiva 1030 na lista de bens preservados pela Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do bairro.
A medida é um desdobramento da movimentação iniciada ontem, quando Paes registrou a padaria, que funciona desde 1943, como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da cidade
O novo decreto prevê a preservação da estrutura da Rio-Lisboa
Diferentemente da providência de ontem, que buscava preservar “modos de fazer e viver o cotidiano” , o decreto de hoje ataca a questão urbanística. Ao incluir o endereço na Apac, a prefeitura reconhece o imóvel como “testemunho da ocupação urbana do bairro”.
Na prática, isso significa que qualquer intervenção física na estrutura exige aprovação rigorosa dos órgãos de patrimônio. E isso dificulta drasticamente a demolição para a construção de prédios residenciais que descaracterizem a ambiência local.
O embate de R$ 30 milhões
A decisão da prefeitura ocorre em meio a um “cabo de guerra” imobiliário. O terreno de 280 m² é alvo da disputa de gigantes como Mozak, SIG Engenharia, TGB Imóveis e Itten. O valor pedido pelos proprietários chega a R$ 30 milhões, embora avaliações de mercado estimem o lote em cerca de R$ 14 milhões.
Com o imóvel agora oficialmente preservado pela APAC e a atividade econômica registrada como patrimônio imaterial, qualquer comprador terá que manter a “alma” da Rio-Lisboa. Se for uma construtora, o projeto arquitetônico obrigatoriamente precisará integrar a padaria tradicional ao térreo, inviabilizando projetos que previam a limpeza total do terreno para uso exclusivamente residencial.


