Nesta segunda-feira (2), o prefeito Eduardo Paes (PSD) deu o pontapé inicial em seu quarto mandato ao instalar o Gabinete de Transição. Para simbolizar uma renovação de postura e metas, as reuniões acontecerão no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa Tech), na Zona Portuária, sob a coordenação de Eduardo Cavaliere (PSD), vice-prefeito eleito.
Para Paes, a escolha do local e do time não é aleatória.
“Temos a clareza de que vivemos outro momento, temos que nos renovar. A população não deu um cheque em branco. Esse é um novo governo, com políticas a serem continuadas e outras que devem ser revistas”, disse o prefeito.
O tom de renovação permeia a transição, mas o prefeito também deixa claro que a continuidade será peça-chave para manter áreas bem avaliadas, como Saúde e Educação. Daniel Soranz e Renan Ferreirinha, por exemplo, são nomes cotados para permanecerem nas respectivas pastas. O mesmo não vale para setores estratégicos como segurança pública, que terá foco em ‘civilidade’ e que promete decisões mais ousadas no futuro.
Civilidade como palavra de ordem
Entre as prioridades anunciadas, o ‘choque de civilidade’ emerge como uma nova abordagem de ordem urbana, que promete ir além da repressão, buscando diálogo com a sociedade para cultivar boas práticas. Mas será que os exemplos práticos — como ações contra motociclistas na contramão ou caixas de som abusivas nas praias — terão impacto real em uma cidade marcada por desafios estruturais?
Pedro Paulo (PSD) deputado federal e um dos homens de confiança de Paes, resumiu o conceito.
“A civilidade tem mais a ver com dialogar com a cidade sobre postura e boas práticas. O choque de ordem tem a ver com a coercibilidade”.
Essa linha de atuação já está sendo aplicada em operações no BRT, com uso de vídeomonitoramento para coibir irregularidades. Já em 2025, espera-se a expansão do programa Civitas, com câmeras integradas ao Centro de Operações Rio (COR).
Renovação ou pré-campanha para 2026?
Cavaliere, considerado uma escolha estratégica para o gabinete de transição, foi poupado de assumir qualquer secretaria para governar junto com Paes, conforme explicou o prefeito.
“Tenho absoluta certeza de que coloquei alguém como o vice-prefeito que teria todas as condições de assumir amanhã a prefeitura do Rio de Janeiro e conduzir com muita capacidade e maturidade. Não é à toa que ele vai comandar a transição”, elogiou.
O vice terá a missão de estruturar o próximo governo em torno de cinco eixos temáticos: equilíbrio fiscal, civilidade, felicidade, longevidade e infraestrutura. A inclusão de “felicidade” no planejamento foi destacada por Cavaliere como uma inovação.
“Todas as grandes cidades estão colocando isso como eixo de discussão. Seja olhando para os jovens ou os idosos, mas olhando como um ativo estratégico da cidade do Rio.”
A expectativa é que o secretariado completo seja anunciado até o Natal. Entre discursos e promessas, Paes reafirma sua intenção de governar até 2028, embora as especulações sobre sua candidatura ao governo estadual continuem.
Velhos e novos desafios em pauta
Entre as pautas que continuarão a exigir atenção, o projeto de lei que arma a Guarda Municipal segue sendo uma promessa. Embora Paes tenha declarado que o tema não foi prioridade em seu último mandato, ele prometeu encaminhar a questão em 2025. Segundo ele, a prioridade até dezembro será aprovar o projeto do IPTU progressivo e as mudanças no Estatuto do Servidor Público — inclusive as regras da contagem das horas aula dos professores e licenças premium.
A pergunta que fica é se o “choque de civilidade” e a busca por renovação serão suficientes para enfrentar os desafios de um Rio que ainda espera por soluções estruturais.