A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) pediu que as mais de 120 mortes provocadas pela megaoperação policial na Penha e no Alemão passem por uma nova investigação, dessa vez por órgãos que não tenham vínculo com a polícia fluminense, que organizou a operação.
O pedido faz parte do relatório sobre o caso apresentado pelo grupo. Após quatro meses de apuração, o documento final do órgão identificou “graves discrepâncias” entre os objetivos apontados pelo governo estadual para a megaoperação e o resultado final.
Relatório relaciona mortes em megaoperação a interesses políticos de governador do Rio
Um dos pontos criticados pelo documento é o uso do número expressivo de mortes como métrica para determinar o sucesso e a efetividade da ação policial. A CIDH aponta que, das 117 pessoas mortas nas comunidades, apenas 15 eram alvos de mandados judiciais.
A maior parte das prisões realizadas pelos agentes no local foi feita em flagrante, e não em cumprimento dos mandados expedidos — o que o órgão usa como base para questionar as declarações públicas do governador Cláudio Castro (PL) de que a ação foi “um sucesso”.
Castro, aliás, é citado no documento. O relatório indica que o número de mortes na megaoperação pode ter sido usado como ferramenta política pelo grupo do governador. O texto fala em “normalização da morte” e destaca o aumento expressivo no número de seguidores nas redes do governador após o fim da ação.
Além da apuração no local dos conflitos, a Comissão afirma ter ouvido Castro, representantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e familiares de pessoas mortas na megaoperação para compor o relatório. As recomendações foram enviadas às autoridades.
Com informações do jornal “O Globo”.

