No xadrez das concessões cariocas, o tabuleiro acaba de ser reorganizado — com o esvaziamento da Rioluz. O decreto nº 55.879, assinado pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) no apagar das luzes de março, transfere a representação do poder concedente em sete importantes contratos municipais — de bicicletas a quiosques na orla — para a Secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE). A CCPar, braço técnico do município para parcerias, assume a operação da PPP da Iluminação Pública.
Mas o movimento mais curioso está nos bastidores dessa troca de peças.
Com o novo decreto, a Rioluz, que assinou a subconcessão com a Smart RJ em 2020, perde protagonismo e vira coadjuvante. A companhia seguirá responsável apenas pela atuação em campo e pelo suporte técnico. O controle estratégico e contratual agora é da CCPar, sob o guarda-chuva da SMDE.
Um político no comando da Rioluz
No comando da Rioluz está hoje Rafael Thompson, ex-chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar na Assembleia Legislativa e ex-secretário de Governo de Cláudio Castro (PL). Thompson, que ensaia voos próprios há tempos, chegou ao cargo em janeiro com um perfil nitidamente político. Ele e Bacellar estão rompidos desde 2023, justamente quando Thompson começou a flertar com as urnas.
Na prática, a Rioluz perde poder justo quando ganha um dirigente com ambições políticas. A luz segue acesa, mas o interruptor mudou de mão. E, no Rio, nada disso é por acaso.
