Três policiais civis — incluindo o delegado titular da 44ª DP (Inhaúma) — foram presos na manhã desta terça-feira (10), durante uma nova fase da Operação Anomalia, da Polícia Federal. Os agentes investigam um esquema de extorsão de criminosos que usava delegacias no Rio para emitir intimações falsas.
Segundo as investigações, a quadrilha fraudava as intimações para coagir traficantes do Comando Vermelho. Os policiais exigiam pagamentos de propinas significativas em troca da omissão de atos de ofício. Para evitar o contato direto com os criminosos, os agentes usavam intermediários, além de uma rede de empresas de fachada registradas em nomes de familiares.
O Supremo Tribunal Federal (STF) expediu quatro mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. Os alvos são o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves e os policiais Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus, todos presos nesta manhã. O quarto mandado era contra o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, que já está preso.
STF determinou bloqueio de contas do delegado e dos policiais civis acusados pelo esquema
Além das prisões, o STF também determinou o bloqueio de bens, contas bancárias e criptoativos. A equipe de inteligência da PF identificou uma movimentação patrimonial milionária na conta dos investigados, considerada incompatível com os salários recebidos por eles. O delegado e os outros dois policiais civis foram afastados dos cargos públicos.
A Polícia Civil disse que “não compactua com desvios de conduta” e vai instaurar processos administrativos e disciplinares para apurar a conduta dos agentes.
O grupo vai responder por organização criminosa, extorsão, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro. A nova etapa da operação ocorre apenas um dia após a primeira fase, realizada na segunda-feira (9), que cumpriu mandados de prisão contra outras três pessoas: o ex-secretário estadual de Esportes, Alessandro Pitombeira Carracena, que já estava encarcerado; Fabrizio Romano, delegado da Polícia Federal; e a advogada Patrícia Falcão.

