O relatório da Polícia Federal afirma que Rodrigo Bacellar (União), presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj), exercia “a liderança do núcleo político” do Comando Vermelho.
No documento de 188 páginas enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a PF diz que o deputado atuava como elo político da facção, oferecendo sustentação institucional e proteção a seus interesses. Segundo os investigadores, o peso político de Bacellar o teria colocado em “posição estratégica dentro da estrutura criminosa” e permitido o vazamento de informações sobre uma operação policial.
A corporação afirma ainda que a relação entre grupos criminosos e agentes públicos é um dos fatores que fortalecem o crime organizado no estado.
O relatório sustenta que a investigação revelou uma rede de conexões indevidas dentro do setor público e aponta para a formação de um “verdadeiro estado paralelo”, capaz de comprometer o êxito de operações policiais.
Para a PF, o caso seria “o retrato perfeito da espoliação dos espaços públicos de poder pelas facções criminosas no Rio”.
Bacellar teria ‘macroinfluência’ além da Alerj
De acordo com o documento, na condição de presidente da Alerj — eleito por unanimidade — Bacellar exercia uma “macroinfluência em todos os setores políticos do Rio”, além de deter “ascendência hierárquica sobre os demais membros”.
A PF afirma que essa posição permitia ao parlamentar controlar seus aliados, inclusive direcionando “o que deveria ser movimentado ou não” antes da chegada da polícia à casa de TH Jóias.
TH Jóias é apontado como elo da facção ao poder público
O relatório também descreve a atuação de TH Jóias, identificado como parlamentar estadual e apontado pela PF como integrante do Comando Vermelho com assento na Alerj “para atendimentos escusos da facção, notadamente na área da segurança pública”.
Segundo a investigação, ele seria responsável por intermediar a aquisição de armas e equipamentos tecnológicos para a facção, além de participar presencialmente de encontros com a cúpula do grupo criminoso.
Com informações do jornal “O Globo”.

