Não é de hoje que cardeais das grandes legendas que compõem a base do governo estadual — mais precisamente o PL e a Federação União Progressista — têm mandado recados a deputados estaduais sobre a já famosa “ordem unida”. Quem não seguir a orientação partidária nas votações cruciais da Assembleia Legislativa pode não ter recursos ou tempo de TV na campanha pela reeleição.
Em casos extremos, há quem sugira até negar a legenda aos “infiéis”.
Mas, na votação desta quinta-feira (26), que elegeu Douglas Ruas (PL) presidente — mas foi anulada pela Justiça poucas horas depois — deputados relatavam que a pressão chegou a níveis bem mais altos. Teve cacique ligando para prefeitos de seus partidos avisando: aqueles que não convencessem seus afilhados na Alerj a seguirem a determinação da executiva passariam a ser tratados a pão e água.
E poderiam esquecer qualquer ajuda para conseguir mais recursos para as suas administrações.
Na hora do voto, Vinícius Cozzolino (que está com um pezinho no PSD do oposicionista Eduardo Paes) votou em Douglas Ruas e justificou o fato de ter ficado com o governo.
“Quero dizer que o município de Magé precisa continuar contando com a ajuda do governo do estado, na saúde, nas obras, que a função do deputado estadual é essa, é levar recursos para o seu município.. Eu estou aqui em união com o prefeito Renato Cozzolino”, disse o deputado.
Pedetista afirma que prefeitos foram obrigados a pressionar pelo voto em Douglas Ruas
Vítor Júnior (PDT) fez uma denúncia mais explícita, em entrevista coletiva logo após a votação.
“Só para registrar que a manobra que aconteceu nessas últimas três horas é muito grave (…). A gente observou que vários deputados foram pressionados por prefeitos, que foram ameaçados com o corte de repasses de orçamento na área da saúde, da manutenção e de custeio de seus municípios. Esses prefeitos foram obrigados a pressionar alguns deputados desta casa para se posicionar a favor desse nome apresentado no dia de hoje”, disse o pedetista.
Segundo as contas da oposição, pelo menos cinco parlamentares vão deixar os seus partidos por causa dessa pressão, que vem sendo exercida com mão de ferro nas últimas semanas.
Pelo sim, pelo não, o novo presidente do União Brasil, o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, estava em plenário durante a votação. Um general tomando conta de seus exércitos.
E se “política é gesto”, como se diz no popular…

