Nada como um bom almoço para selar a paz no cenário político em meio ao início, no mínimo intenso, da corrida pelo Palácio Guanabara que acontece em outubro deste ano. Um mês após trocarem ofensas publicamente, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD) e o secretário de Assuntos Legislativos do governo Lula (PT), André Ceciliano (PT), fizeram as pazes nesta sexta (27), durante um almoço na capital fluminense.
Ainda que tenha oferecido a vaga de vice em sua chapa para Jane Reis (MDB) — que faz parte do grupo de aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Paes (PSD) voltou a sinalizar — durante encontro com Ceciliano (PT) — que abrirá palanque no Rio para a campanha de reeleição de Lula (PT) à Presidência.
“Eu disse ao Eduardo que, se ele falar que é 100% Lula (PT), eu também sou 100% Eduardo Paes (PSD). Ele fará campanha para o presidente Lula (PT), que é a nossa prioridade na eleição deste ano”, disse Ceciliano (PT), que fez uma publicação nas redes sociais onde afirmou que “não há briga que não possa terminar com um abraço e um bom aperto de mão”. O texto veio acompanhado por uma foto da campanha de 2022 em que o secretário aparece de mãos dadas com Paes (PSD) e Lula (PT).

Troca de ofensas nas redes sociais
Há um mês — diferentemente do cenário amistoso vivido pelos políticos nesta sexta (27) — Eduardo Paes (PSD) e André Ciciliano (PT) trocaram ofensas públicas em meio às suposições sobre os candidatos concorrentes ao governo do Rio. À época, Paes (PSD) havia acusado Ceciliano (PT) de querer concorrer ao governo estadual com apoio do presidente afastado da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar — indicado nesta sexta (27) pela Polícia Federal sob acusação de ligação com o Comando Vermelho — e sugeriu que o movimento atenderia a “práticas de conexão com o crime”.
Em reação à acusação, também em janeiro, Ceciliano (PT) ironizou o prefeito do Rio pelo que chamou de “fala nervosinha” — expressão que faz referência ao apelido de “nervosinho”, atribuído a Paes (PSD) em delação premiada de executivos da Odebrecht à época da Lava-Jato.
A “treta” instaurada entre Paes (PST) e Ceciliano (PT) surgiu devido à movimentação do petista para concorrer em uma eventual eleição fora de época ao governo do Rio — que ocorrerá em caso de renúncia do governador Cláudio Castro (PL). Com esse possível cenário, a Alerj precisaria eleger, até maio, um novo governador para um mandato-tampão, com validade até o fim do ano. Por já ter presidido a Alerj e ter boa relação com deputados estaduais de diferentes partidos, a possível candidatura de Ceciliano (PT) passou a ser vista com desconfiança por Paes (PSD), visto que o petista, se eleito, só poderia disputar a reeleição para governador na eleição de outubro — quando o próprio Paes (PSD) concorrerá aO cargo.
Articulações para o possível mandato-tampão
A estratégia do PSD e de Paes é contestar no STF as regras aprovadas pela Alerj para essa eleição indireta, o que pode acabar adiando o pleito — fazendo com que o tempo disponível para Douglas Ruas (PL) — secretário estadual de Cidades, apontado nesta semana por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para liderar a chapa do seu partido ao Palácio Guanabara — ou outro candidato do PL à frente da máquina estadual — diminua antes das eleições de outubro.
Em paralelo a isso, Paes (PSD) vem buscando atrair partidos e parlamentares que estão na base do governador Cláudio Castro (PL). Embora venha fazendo acenos ao bolsonarismo, Paes considera relevante, por outro lado, ter o apoio do PT e de Lula já no primeiro turno da eleição estadual.
Nova visita de Lula
Além de fazerem as pazes, Paes (PSD) e Ceciliano (PT) aproveitaram o encontro amistoso desta sexta (27) para debater detalhes de uma terceira visita de Lula (PT) ao Rio ainda neste ano. O presidente deve visitar a capital fluminense na próxima quinta-feira (05) para acompanhar obras viárias em Campo Grande, na Zona Oeste, e também para uma agenda relacionada a ações do governo federal no Aeroporto do Galeão.

