A Hapvida informou nesta terça-feira (27) que desistiu da compra do Hospital de Oncologia do Méier, que pertence à Oncoclínicas. A transação havia sido anunciada em 25 de agosto de 2025, mas acabou rescindida após as partes não chegarem a um acordo sobre os termos finais do negócio.
Em comunicado ao mercado, a operadora de saúde afirmou que a conclusão da operação estava condicionada à realização de diligência, à negociação e assinatura dos contratos definitivos e ao cumprimento das condições usuais de fechamento. Concluídas essas etapas, segundo a companhia, “as partes não alcançaram termos e condições satisfatórios”, o que levou à decisão de encerrar as tratativas.
A justificativa genérica reacendeu preocupações entre investidores da Oncoclínicas, cuja governança já foi alvo de questionamentos e que recentemente voltou ao noticiário por causa da sua relação com o Banco Master. O fundador da instituição, Daniel Vorcaro, foi acionista da companhia, que também mantinha cerca de R$ 433 milhões aplicados em CDBs do banco.
A Oncoclínicas afirma ao mercado que essa participação hoje estaria com o BRB, após ter sido dada em garantia de uma transação. O caso, no entanto, é alvo de contestação judicial pela própria empresa.
Após o anúncio da desistência, investidores passaram a especular que o hospital poderia ter passivos ou problemas não totalmente esclarecidos. Pessoas próximas à Oncoclínicas, no entanto, dizem que a decisão não teve relação com governança ou riscos ocultos no ativo.
Segundo essa versão, o negócio travou porque a Hapvida tentou renegociar os termos da compra depois de mudanças recentes na própria operadora. A Oncoclínicas, que também passou por uma reestruturação, não aceitou as novas condições.
Em novembro, a companhia fez um aumento de capital de R$ 1,4 bilhão por meio da conversão de debêntures, atraindo novos acionistas como ARC Capital, Kapitalo, Banco Original e Santander Asset. No mês seguinte, reformulou o conselho de administração.
Hapvida já constrói um hospital próprio na Cidade Nova
Do lado da Hapvida, a desistência ocorre em um momento de ajuste estratégico. Em novembro, as ações da operadora chegaram a cair 42% em um único dia após um resultado trimestral abaixo do esperado. Em dezembro, a empresa anunciou que o atual CEO, Jorge Pinheiro, será substituído por Lucas Adib, hoje diretor financeiro do grupo, em uma transição prevista para 2027.
Será a primeira vez que a maior operadora de saúde do país será comandada por um executivo de mercado, fora da família fundadora.
Outro ponto que chamou a atenção foi o valor da transação. A Hapvida pagaria R$ 5,3 milhões pelo hospital — cifra considerada baixa para uma companhia que lucra cerca de R$ 1,8 bilhão por ano. Ainda assim, analistas viam a compra como estratégica para reforçar a expansão e a integração da rede da operadora no Rio.
No comunicado ao mercado, a Hapvida afirmou que vive um momento de “disciplina e rigor na alocação de capital” e informou que decidiu acelerar a construção de um hospital próprio na cidade. O novo hospital, na Cidade Nova, tem inauguração prevista para o primeiro semestre de 2027, será de alta complexidade e terá capacidade para até 250 leitos.
O comunicado foi assinado por Lucas Adib, vice-presidente de Finanças, Relações com Investidores e Tecnologia da Hapvida. Com informações do jornal “O Globo”.

