Ainda podem surgir novos candidatos, é claro. Mas a Assembleia Legislativa já escolheu os dois opostos que vão disputar a eleição indireta para governador no mandato-tampão.
O secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, do PL, representando base governista e sua aliança já formada para a eleição de outubro, com a Federação União Progressista. Como principal trunfo, o moço apresenta as bancadas gigantes do seu partido e dos aliados.
Do outro lado do risco está o secretário nacional de Assuntos Parlamentares, André Ceciliano, do PT, que pretende levar os votos dos parlamentares de esquerda e do PSD de Eduardo Paes. A vantagem do ex-presidente da Casa é fazer um governo totalmente novo — com a participação de aliados, inclusive governistas que não integram o seleto grupo de Altineu Côrtes (PL), Dr. Luizinho (PP) e Márcio Canela (União).
Castro pode renunciar no próximo dia 23
A renúncia do governador Cláudio Castro (PL) para a disputa por uma vaga ao Senado — e, consequentemente, a eleição indireta — podem ser antecipadas. Em tese, ele só precisaria deixar o cargo no início de abril, seis meses antes do primeiro turno das eleições.
Mas, como a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Cármen Lúcia, marcou para o dia 24 a retomada do julgamento do caso Ceperj, pode ser que ele renuncie antes do prazo.
Mais precisamente, no dia 23, véspera da sessão do TSE.
A votação foi encerrada por pedido de vista de Nunes Marques, nesta terça-feira (10), quando o placar marcava 2 a 0 contra Castro (já se posicionaram a relatora Isabel Galotti e o ministro Antonio Carlos Ferreira). Neste momento, o tribunal está optando pela cassação e inelegibilidade do governador.
Ainda faltam cinco votos — mas três deles, segundo os entendidos, devem seguir a relatora.


Minha visão sobre essa peleja:
Não vejo essa disputa apenas como um confronto clássico de direita contra esquerda.
Na verdade, estamos diante de dois quadros políticos experientes, cada um muito forte dentro do seu campo e com grande capacidade de articulação.
Cada um joga no seu quadrado, com suas alianças, suas bases e suas estratégias bem definidas.
Por isso, essa eleição indireta tende a ser muito mais uma disputa de articulação política dentro da Assembleia Legislativa do que propriamente um embate ideológico tradicional.
É o típico caso de missão dada:
cada lado vai mobilizar sua tropa, contar votos e mostrar sua capacidade de liderança.
Agora é acompanhar com atenção.
Porque, no final, essa movimentação também vai indicar o desenho político que se projeta para as eleições de outubro.