De volta à Assembleia Legislativa (Alerj) após deixar a secretaria estadual de Cidades na última sexta-feira (20), Douglas Ruas (PL) usou a tribuna do plenário nesta terça-feira (24) para discursar como pré-candidato do grupo governista ao Palácio Guanabara. Durante a fala, foi tratado como “futuro governador” por aliados e defendeu o voto aberto na eleição indireta que definirá o mandato-tampão.
A movimentação ocorre um dia após a renúncia de Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo na véspera de julgamento no TSE que poderia levar à sua cassação. Sem vice, caberá à Alerj eleger, em até 30 dias, um governador-tampão para ocupar o cargo até dezembro.
Na cerimônia de despedida do ex-governador, Ruas foi um dos mais cumprimentados por aliados, em meio à articulação pela sucessão.
Ruas usa passagem pela secretaria de Cidades como vitrine para ganhar o interior
Na tribuna, Douglas Ruas centrou o discurso em sua passagem pela secretaria de Cidades e na situação financeira dos municípios fluminenses. Segundo ele, fora a capital e cidades com royalties do petróleo, “a grande maioria dos municípios não tem capacidade de investimento”, com orçamentos restritos ao pagamento de funcionários e serviços básicos.
O deputado citou o programa Governo Presente como principal ferramenta da sua gestão para levar recursos ao interior, afirmando que os investimentos priorizaram cidades que “carecem e anseiam” por infraestrutura. Disse ainda que retorna à Alerj com “sentimento de dever cumprido”.
Aliados do governo apoiam falas de Ruas sobre o voto aberto na eleição indireta
Ao entrar no tema da sucessão, o pré-candidato ao governo classificou o momento como de “excepcionalidade” e defendeu que a eleição indireta seja realizada com voto aberto. Para Ruas, os deputados são “representantes do povo” e a população precisa acompanhar se o voto de cada parlamentar “está refletindo o anseio do seu eleitor”.
A posição confronta a decisão do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou voto secreto e prazo de seis meses de desincompatibilização para candidatos ao mandato-tampão. A regra ainda será analisada pelo plenário da Corte.
Após o discurso, o líder do governo na Alerj, Rodrigo Amorim (União), reforçou a defesa do voto aberto e chamou Ruas de “futuro governador desse estado”. Segundo ele, mesmo em uma eleição indireta, “o eleitor tem o direito de saber em quem o seu parlamentar está votando”.
Na sequência, Gustavo Tutuca (PP) também saiu em defesa do colega. Ex-secretário de Turismo, ele afirmou que muitos municípios “só conseguem pagar a folha e manter a máquina funcionando” e dependem do apoio de secretarias do estado – como a de Ruas – para avançar em obras. Disse ainda que a Alerj foi “vanguardista” ao adotar voto aberto e que a casa “não pode retroceder”, questionando a decisão de Fux.
Como só deixou seu cargo na última semana, Ruas já aparece como o principal nome do grupo de Castro para a eleição indireta caso o STF discorde do prazo de seis meses para desincompatibilização.

