Quase um ano após a primeira audiência pública sobre o futuro da Cabana do Pescador, em Cabo Frio, o destino do imóvel ainda não foi definido. O espaço, que se tornou ponto turístico entre as praias do Peró e das Conchas por ter sido locação de filmes e da novela Avenida Brasil, segue fechado e interditado pelo Ministério Público Federal (MPF) devido ao risco de poluição e impactos à área natural.
Construída na década de 1940 como abrigo para pescadores, a cabana está localizada no Parque Estadual da Costa do Sol, área de preservação ambiental, e foi tombada como patrimônio histórico, cultural e arquitetônico pelo município e pelo estado do Rio de Janeiro.
A segunda audiência, que estava prevista para dezembro de 2025, foi adiada devido a um ponto facultativo municipal e estadual — motivado pela final da Copa Internacional, em que o Flamengo disputava o título — e ainda não foi remarcada.
Fechamento da Cabana do Pescador ocorre em meio a disputa judicial e interdição do MPF
A Justiça Federal chegou a determinar a demolição da Cabana do Pescador em 2022, mas o tombamento como patrimônio histórico e cultural garantiu sua preservação. Desde então, o imóvel tem sido alvo de disputa judicial entre a prefeitura, o MPF e os descendentes do proprietário.
Em dezembro de 2023, o procurador Leandro Mitidieri Figueiredo solicitou a interdição imediata da cabana, proibindo qualquer atividade econômica no local e estabelecendo multa diária de R$ 5 mil em caso de descumprimento — medida que desagradou os descendentes de Jamil Silva dos Anjos, que atuavam na exploração comercial do imóvel.

Projeto da prefeitura quer transformar cabana em espaço cultural, mas MPF rejeita bar
A prefeitura apresentou, depois da última audiência, um projeto para transformar a cabana em espaço cultural, com museu, bar e banheiro, como parte de um plano para valorizar o patrimônio histórico e atrair visitantes.
O MPF, no entanto, rejeitou a inclusão do bar e dos banheiros, apontando riscos de poluição e impacto ambiental, e fez recomendações para adequação:
- Destinar o uso do imóvel exclusivamente a atividades culturais que não afetem o meio ambiente;
- Instalar banheiros em área fora da faixa de areia, com destinação segura do esgoto;
- Parte da arrecadação das atividades culturais deveria beneficiar a família proprietária e programas de educação ambiental e conservação.
A prefeitura afirmou, em nota ao TEMPO REAL, que acolheu integralmente as recomendações e enviou o projeto ajustado aos autos, demonstrando interesse na preservação do patrimônio histórico.
Moradores do Peró pressionam por preservação e uso cultural da cabana
Representantes da Associação Amigos do Peró e da Associação Comercial e Turística do Peró (Acetur) defendem que a Cabana do Pescador seja transformada em museu e portal de entrada para o Morro do Vigia, com cobrança de ingresso. O objetivo seria garantir recursos para a manutenção do patrimônio histórico e a conservação da natureza local.
O imóvel permanece fechado e sem uso, e a comunidade acompanha de perto a tramitação judicial, reforçando a pressão para que a segunda audiência seja remarcada rapidamente.
O Tribunal de Justiça de região afirmou, em nota, que a audiência será definida nos próximos dias, porém não detalhou mais informações.

Audiência sobre outro patrimônio histórico da cidade mobiliza defensores da Cabana
O Tribunal marcou recentemente audiência sobre outro patrimônio histórico de Cabo Frio: o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, sede do Museu de Arte Religiosa e Tradicional (MART), inaugurado em 1696 e aberto ao público desde 1982. O encontro, agendado para 22 de janeiro de 2026, discutirá preservação, segurança e intervenções estruturais do Convento.
Moradores do Peró planejam participar da audiência para reiterar o pedido de remarcação da reunião sobre a Cabana do Pescador, reforçando a mobilização comunitária em defesa dos patrimônios históricos da cidade.

