Se a tese por enquanto vencedora no plenário virtual do Supremo Tribunal Federal (STF) — que já formou maioria para estabelecer eleição indireta, com votação secreta, na escolha do substituto de Cláudio Castro (PL) no governo do estado — for mantida, a Assembleia Legislativa terá que buscar, literalmente, uma peça de museu.
A cabine para votação secreta, uma peça antiga em madeira entalhada e vidro fosco, hoje faz parte do acervo histórico da Alerj — e integra o roteiro da visita guiada no Palácio Tiradentes.
As votações secretas na casa foram abolidas em 2001 — quando a Alerj era comandada por Sérgio Cabral.

A cabine chegou a ser ressuscitada por poucas horas em fevereiro de 2023, quando o deputado Filippe Poubel (PL) recorreu à Justiça para pedir o voto secreto na eleição para presidente da casa. Na ocasião, havia uma disputa acirrada entre Rodrigo Bacellar e Jair Bittencourt, ambos do PL. Poubel conseguiu uma decisão judicial impondo o voto secreto.
Foram buscar o móvel histórico, levaram o trambolho para o plenário e às 15h deram início à votação.
Pouco tempo depois, no entanto, a Alerj conseguiu uma nova liminar, derrubando a primeira. E a votação foi interrompida para ser realizada, do zero, de forma aberta.
Pouco depois das 18h, a maioria dos 70 deputados já havia votado a favor de Bacellar.
A cabine, abandonada, foi levada de volta a um dos corredores do Tiradentes, onde conta um pouco da sua história aos visitantes interessados na vida do Legislativo fluminense.
Zanin suspende a eleição indireta, à espera da decisão do plenário
No fim da noite desta sexta-feira (27), o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a realização de eleições indiretas para governador do Rio e manteve o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto, no exercício do cargo.
O ministro tomou a decisão em ação apresentada pelo PSD do ex-prefeito Eduardo Paes, que pede a convocação de eleição direta para substituição de Castro — que renunciou na véspera do julgamento do caso Ceperj pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassaria o seu mandato e o deixaria inelegível.
A ação correu paralelamente à que está em votação no plenário virtual do STF, mas Zanin acha que a questão é tão séria que deveria ser levada a uma reunião presencial do Supremo. Na sentença, ele pede que os ministros se reúnam para, juntos e ao vivo, decidir como será escolhido o futuro governo do Rio.

