A terceira fase do programa Asfalto Liso, da Prefeitura do Rio, começou com o cronômetro invertido. Embora um canteiro de obras já ativo tenha sido festejado nas redes sociais e em veículos de imprensa, com a presença de boa parte do primeiro escalão do poder municipal, no domingo (23), a formalização do processo só aconteceu, “no papel”, dois dias depois, na terça, dia 24.
O que chama a atenção não é apenas o valor de R$ 315,9 milhões destinado à MJRE Construtora, mas a pressa em dar publicidade às intervenções — e já com as máquinas nas ruas.
Além da inversão das etapas — onde se começa a obra para depois assinar o papel — o processo administrativo da fase 3 segue blindado à pesquisa pública.
O acesso aos detalhes da licitação e aos termos específicos do contrato tem sido dificultado, com documentações fechadas no sistema de informações da Prefeitura do Rio. O bloqueio impede que sociedade e órgãos de controle acompanhem se os R$ 315 milhões serão aplicados com a devida eficiência em áreas como Centro, Zona Sul e Grande Tijuca.
Licitação com o mesmo objeto foi suspensa pelo TCM
O início das obras, e a posterior publicação pela Prefeitura do Rio, coroam um histórico conturbado.
Em setembro de 2025, o Tribunal de Contas do Município (TCM) chegou a suspender dois pregões, sendo um deles com o mesmo objeto deste (e juntos somavam R$ 707 milhões). O argumento do tribunal é que foram encontrados indícios de irregularidades nos editais.
Mas, ao que parece, o apressado, mesmo quando não tem o edital contestado, acaba invertendo a lógica — e se não “come cru”, como no ditado popular, coloca o asfalto antes do contrato assinado.

