Os vereadores da Câmara do Rio deixaram em segundo plano, nesta quinta-feira (9), a pauta municipal e elevaram o tom ao discutir o modelo de eleição para o mandato-tampão de governador, que será definido em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF). O embate colocou frente a frente aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e do ex-governador Cláudio Castro (PL).
De um lado, a base de Paes, pré-candidato ao Palácio Guanabara em outubro, fez coro em defesa de eleições diretas para governador até dezembro. Do outro, o grupo de Castro — que tem como pré-candidato ao governo o deputado estadual Douglas Ruas (PL) — critica o movimento e afirma estar disposto a disputar o pleito, seja ele direto ou indireto.
‘O Coringa é Eduardo Paes’
O primeiro a abordar o tema foi o vereador Fernando Armelau (PL), que repudiou a declaração do advogado do PSD, Thiago Boverio, que comparou o Rio à “Gotham City” durante sessão do STF, nesta quarta-feira (8), que julga o modelo da eleição. Na avaliação do parlamentar, o PL tem muito mais força no estado do que o ex-prefeito.
“Então, quem seria o Coringa nessa história? Acho que o advogado do PSD quis dizer que o Coringa é Eduardo Paes”, ironizou Armelau.
Vereador do PSD mantém denúncia de uso político das forças policiais
Salvino Oliveira (PSD) saiu em defesa de Paes e defendeu a realização de eleições diretas. O vereador, que foi preso em uma operação da Polícia Civil em 11 de março e solto dois dias depois por decisão da Justiça, voltou a insinuar o uso político das forças policiais pelo grupo de Cláudio Castro.
“Eu fico até preocupado de falar sobre isso porque, da última vez que falei sobre o governo do estado, na manhã seguinte acordei com a polícia na minha porta e fui preso. A população fluminense teve uma eleição roubada, e seu direito, sua soberania, foram usurpados. É importante devolver isso à população: o direito de escolher diretamente quem vai representar o estado nos próximos quatro anos”, afirmou.
‘Temos o melhor candidato’
O líder do PL, Rogério Amorim, rebateu. Foi à tribuna e afirmou que a bancada não tem “o menor medo” do modelo que será escolhido para a eleição, por acreditar que o partido possui “o melhor candidato”.
“Nós do PL não temos o menor medo de eleições diretas, indiretas, ‘porrinha’, disputa de gol a gol, pênalti. Não temos, porque temos a convicção de que temos o melhor candidato. Temos o deputado Douglas Ruas, que reúne capacidade técnica, ética e de gestão para enfrentar Eduardo Paes”, disse.
Ex-secretária de Paes ataca parlamentar do PL
Em seguida, Tainá de Paula (PT), ex-secretária municipal de Meio Ambiente e Clima e pré-candidata a deputada federal, criticou as declarações do colega. Usando a mesma referência ao universo da DC Comics, afirmou que a eleição para o governo será uma “faxina da Arlequina” na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
“Hoje ele [Rogério Amorim] pareceu a personagem ‘Arlequina’, fazendo malabarismo político para defender o indefensável. O Código Eleitoral é claro: quando há vacância do cargo de governador a menos de seis meses do período eleitoral, o povo deve decidir diretamente quem será o futuro governador do estado”, afirmou a vereadora.
‘As eleições devem ser diretas’
Pedro Duarte (PSD) também entrou no debate. Pré-candidato a deputado estadual, o vereador afirmou que cabe ao povo fluminense escolher o governador do mandato-tampão.
“O PL é a favor ou contra eleições diretas? Do ponto de vista da lei, isso está muito claro. O grande debate jurídico é: o ex-governador Cláudio Castro renunciou ou foi cassado? Na minha opinião, ele foi cassado. Demorou, mas foi cassado — e, portanto, as eleições devem ser diretas e acontecer o mais rápido possível”, completou.
Vereadora do PL reforça as críticas a Paes
Na outra ponta, Alana Passos (PL) discordou e afirmou que quem pretende governar o Rio precisa respeitar o estado e não usar “metáfora de desenho para atacar instituições”.
“Paes e seu grupo adoram vender fantasia, mas o povo já conhece o resultado de quem governa com marketing e arrogância. O Rio não precisa de ‘Coringa’ de palanque, mas de gente séria, com responsabilidade e compromisso com a população”, afirmou.
O pano de fundo do embate é a dupla vacância provocada pela renúncia de Castro às vésperas de julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que iria cassá-lo pelo envolvimento no escândalo da Ceperj nas eleições de 2022. Agora, o STF decide se, diante da ausência também de um vice-governador, a escolha será por eleição direta ou indireta.

