Eleito em 2022 com o número 1313, o mais cobiçado entre os candidatos a deputado federal pelo PT, o hoje prefeito de Maricá, Washington Quaquá, não se fez de rogado quando começou a discussão sobre quem “herdaria” o maior simbolo do partido na urna.
O 1313 foi para Diego Quaquá, presidente estadual do PT — e filho do cacique.
O problema é que o número estava sendo disputado por Lindbergh Farias, considerado por representantes de todas as correntes do partido o provável puxador da legenda. E pelo ex-presidente da Embratur Marcelo Freixo — que também está cotado como um dos provavelmente mais votados em outubro.
Para piorar, em ofício encaminhado no último dia 22 aos diretórios estaduais, a Secretaria Nacional de Organização do PT fixa as regras para a escolha dos números nas convenções.
Pela ordem, quando houver disputa, terá prioridade quem já tenha usado o número em 2022; ou em 2024. Se nenhum dos postulantes foi registrado com o número requerido anteriormente, é preciso buscar o consenso. E, se isso não for possível, deverá ser feito o sorteio entre os candidatos.
Mas não foi o que aconteceu no Rio. Quaquá passou o seu número diretamente para o… filho!
Revoltados, LIndbergh e Freixo decidiram não aparecer na convenção do partido, marcada para a manhã deste sábado (01).
Eles assinaram, juntos, um manifesto intitulado “O PT não é capitania hereditária”.
“É inaceitável que interesses familiares orientem as decisões estratégicas do PT. Nosso partido não pode se apequenar. As eleições no Rio de Janeiro são fundamentais para o enfrentamento do bolsonarismo e sustentação do governo Lula no Congresso Nacional. (…) É lamentável que o debate sobre a estratégia do PT para as eleições legislativas seja submetido a interesses menores e familiares, como se o nosso partido fosse uma capitania hereditária”, diz o texto.
“Estarei nas ruas todos os dias fazendo campanha para Lula. Isso é o mais importante. Mas não podemos fechar os olhos para tamanha arbitrariedade”, concluiu Freixo.

