A primeira sessão da Câmara do Rio após as eleições gerais de 2026, nesta terça-feira (06), foi marcada mais por ataques, discussões e referências aos resultados das urnas do que por propostas apreciadas pelos parlamentares. Em meio ao clima de disputa eleitoral, vereadores se revezaram no microfone para agradecer aos votos recebidos, provocar adversários e comentar a corrida pelo governo do estado e pela Presidência da República.
Entre os parlamentares que estiveram nas urnas no último domingo (04), Rogério Amorim e Alana Passos, ambos do PL, agradeceram aos eleitores pelos votos recebidos. Os dois disputaram novos cargos — Amorim tentou uma vaga na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), enquanto Alana concorreu à Câmara dos Deputados —, mas não foram eleitos.
Os dois também aproveitaram os discursos para atacar o candidato ao governo do estado Eduardo Paes (PSD), em meio aos questionamentos que ainda cercam a disputa pelo Palácio Guanabara, que pode acabar ainda no primeiro turno, caso os votos recebidos por Garotinho (Republicanos) sejam considerados inválidos.
Ataques a Paes
O vereador Poubel (PL), que não disputou nenhum cargo nas eleições deste ano, também usou a tribuna para comentar o resultado das urnas. Ele apoiou as candidaturas do irmão e do sobrinho a deputado federal e estadual, respectivamente, e agradeceu aos eleitores.
Na sequência, Poubel afirmou que “a guerra nesse país” será encerrada no segundo turno e disse esperar que o presidente Lula (PT) seja “expurgado” do país. O vereador também chamou Paes de “soldado” do presidente e classificou o ex-prefeito do Rio como “soberbo”.
Rogério Amorim (PL) aproveitou seu tempo ao microfone para falar que a coligação de Paes quer reverter o resultado legal das urnas e levar a escolha para o próximo governador do Rio para o segundo turno irregularmente.
As críticas ao candidato ao governo do estado continuaram com Satiê, vereador eleito deputado federal. Ele endossou as falas dos colegas e insinuou que Paes estaria adotando “atitudes vexatórias”, tentando reverter o resultado da eleição para o governo do estado.
Provocações entre os vereadores
O resultado das eleições também serviu de munição para provocações entre os próprios vereadores. Leonel de Esquerda (PT), eleito para uma vaga na Alerj a partir de 2027, aproveitou o discurso para responder a críticas que recebeu quando entrou na Câmara do Rio em resposta direta à fala de Alana.
“Vocês que tinham dito que eu entrei nessa Casa no raspo do tacho, hoje vocês nem no raspo do tacho entraram”, afirmou, em referência aos vereadores que disputaram vagas na Alerj e na Câmara dos Deputados e não conseguiram se eleger.
Leonel também aproveitou a fala para defender a reeleição de Lula e criticar o senador Flávio Bolsonaro (PL). O vereador afirmou que o atual presidente será reeleito para um novo mandato.
Na outra ponta do espectro político, Maíra do MST (PT) também usou a tribuna para manifestar apoio à candidatura de Lula e criticar integrantes da família Bolsonaro.
Poucos projetos apreciados
Em meio aos discursos e provocações, os vereadores apreciaram vetos do Executivo municipal a projetos de lei. A Câmara manteve os vetos parciais ao projeto que prevê o livre acesso e a permanência de pessoas com transtorno do espectro autista em espaços públicos e privados de uso coletivo portando objetos pessoais e alimentos para consumo.
Os vereadores também derrubaram vetos totais a projetos que reconhecem como patrimônios culturais um restaurante na Rocinha e outro em Campo Grande. Também foi derrubado o veto a um projeto que dá nome a uma rua no Recreio dos Bandeirantes.
Outras propostas que estavam previstas na pauta foram adiadas. Entre elas estão o projeto que institui o Portal do Legado Olímpico e o que permite a entrada de bebidas e alimentos para consumo próprio em eventos patrocinados pela Prefeitura do Rio. A sessão foi encerrada logo depois por falta de quórum.
Comentários 1
Excelente notícia!
Confortante saber que a perícia é peça fundamental na contribuição para o deslinde, bem como para o Juízo.