A Justiça Federal condenou um delegado que trabalhava na Superintendência da Polícia Federal no Rio. Lorenzo Pompílio da Hora é acusado de receber um veículo avaliado em R$ 70 mil como suborno para encerrar uma investigação contra o advogado Marcelo Guimarães em 2017.
Ele foi condenado a dez anos e seis meses de prisão, mas ainda pode recorrer em liberdade. A juíza Caroline Figueiredo também decretou a perda do cargo público do delegado.
O processo é um desdobramento da Operação Tergiversação, que revelou um esquema de extorsão envolvendo empresários na Superintendência da PF no Rio entre 2013 e 2017. Segundo o Ministério Público Federal, a organização criminosa arrecadou cerca de R$ 10 milhões em vantagens indevidas, dos quais o delegado teria ficado com um sexto do total.
No mesmo processo, o advogado Marcelo Guimarães e o motorista dele, Luis Henrique do Nascimento Almeida, receberam penas de 3 anos de reclusão, convertidas em serviços comunitários após firmarem acordos de delação premiada.
Delegado teria prometido arquivar apuração da Corregedoria da PF
De acordo com a denúncia, o veículo foi repassado ao delegado após um encontro em um bar na Tijuca, onde Lorenzo teria prometido usar sua influência para arquivar uma apuração da Corregedoria da PF.
Para ocultar a transação, o automóvel foi registrado inicialmente no nome da mãe do motorista e, meses depois, transferido para a esposa do delegado. A quebra de sigilo bancário confirmou a ausência de transações financeiras compatíveis com compra e venda legal do automóvel. Em 2019, Lorenzo chegou a ser preso temporariamente.
Em nota, a defesa de Lorenzo disse que vai recorrer e alegou que a decisão se apoia na palavra de um colaborador premiado sem corroboração independente, prática vedada por lei.
Com informações da TV Globo.

