O cantor e compositor Gabriel da Muda, do Samba do Trabalhador, e um dos grandes nomes deste século do samba carioca, foi homenageado nesta terça-feira (18) com a Medalha Pedro Ernesto — a principal honraria da Câmara do Rio.
A iniciativa foi do vereador petista Leonel de Esquerda (PT), que destacou a trajetória do artista e sua contribuição para a cultura popular. Gabriel da Muda construiu sua trajetória a partir das rodas de samba e dos espaços tradicionais da boemia, consolidando-se como uma referência contemporânea desse circuito.
“Sou obrigado a admitir que quando era criança e ficava ouvindo e lendo discos e CDs, pensava se um dia eu poderia ser não só um artista, mas um artista que tivesse algum nível de reconhecimento, ganhar alguma medalha… (risos). E olha onde cheguei. São 24 anos de carreira e 40 de amor a essa cidade”, disse Gabriel da Muda.
Leonel destacou que a obra do artista se relaciona profundamente com a cultura popular carioca. “É um sujeito completo, desses que a vida transforma em amigo de verdade. É um artista talentoso, sensível no que faz. Para mim, é um honra prestar essa homenagem a esse grande músico. Ele é um ícone da nossa cultura popular, representando com orgulho o que a cidade tem de mais vivo”, disse o vereador.
A obra do cantor e compositor dialoga com o samba de raiz, ao mesmo tempo em que incorpora elementos atuais, afirmando uma identidade própria e profundamente conectada ao território.
Convidado para prestar homenagem, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo (PT), ressaltou o papel de Gabriel como expressão legítima da cultura carioca. Em seu discurso, Freixo enfatizou a importância de reconhecer artistas que mantêm viva a tradição musical da cidade, especialmente aqueles ligados às periferias e aos espaços populares.
“É uma alegria estar aqui nesta Casa, neste Palácio, para celebrar a arte. Confesso que era uma Casa que não me trazia boas lembranças, do tempo em que eu entrava aqui para prender pessoas. Muito melhor vir aqui para homenagear quem faz por este cidade, como o Gabriel”, destacou Freixo, citando a década passada, quando presidiu a CPI das Milícias, que levou à prisão 242 pessoas, entre eles os vereadores Jerominho, Cristiano Girão, Nadinho e Deco.
A cerimônia reuniu ainda nomes conhecidos da boemia carioca, como Mari do Bar da Frente, Toninho do Momo e Lelê do Bode Cheiroso, reforçando o caráter simbólico da homenagem.
“É um privilégio poder acompanhar de perto a carreira de um craque como o Gabriel. Não só da música, do samba, um cantor brilhante. Como também da gastronomia. Poucos conhecem tão bem os bares dessa cidade quanto ele”, elogiou Mariana Rezende, do Bar da Frente, um dos mais premiados do Rio.

