Um dia após se anunciar como pré-candidato ao governo do Rio pelo Democracia Cristã (DC), Wilson Witzel foi “freado” pelo partido.
O presidente nacional do DC, o ex-deputado federal João Caldas, enviou um vídeo aos filiados, garantindo que qualquer decisão sobre candidaturas terá que passar pela análise do grupo que comanda o partido no Rio.
O recado tem destinatário certo.
Mesmo antes da filiação oficial, que (segundo ele) está marcada para 6 de março, Witzel já foi às redes sociais para dizer que vai “encabeçar” a chapa na disputa pelo governo do Estado do Rio.
Caldas corrigiu e disse que a posição oficial do partido sobre a corrida eleitoral no Rio é de responsabilidade do diretório fluminense do DC — que não vai sofrer “interferência, de ninguém” sobre a decisão. Quem preside a sigla no Rio é Mauro Cozzolino, primo de Renato Cozzolino (PP), prefeito de Magé.
“Qualquer pessoa que ingressar no Democracia Cristã vai passar pelo crivo do diretório estadual, que é presidido pelo Mauro. Nós temos lideranças como o Ronald Ázaro, o Cirino, amigos como o prefeito de Magé… Eles estão construindo uma chapa de deputados estadual e federal. E são eles quem vão dizer quem entra no DC e quem será candidato a governador”, disse o presidente do DC.
Antes do DC, Witzel tentou entrar na corrida eleitoral pelo PSDB
O “balde d’água fria” na pré-candidatura não é o primeiro recebido por Witzel desde que ele anunciou o interesse de voltar ao Palácio Guanabara. Antes do DC, o ex-governador conversou com diferentes partidos e, em julho do ano passado, chegou a anunciar uma filiação ao PSDB para participar da corrida eleitoral. As negociações, no entanto, não avançaram e os tucanos acabaram não embarcando no projeto de Witzel para as eleições de 2026.
A chegada ao DC, segundo o próprio Witzel, aconteceu após um convite do ex-presidente da Câmara dos Deputados Aldo Rebelo, que será o candidato à Presidência da República pelo partido.
“Aceitar este convite para encabeçar a chapa estadual é um passo que vai além da política tradicional. É a consolidação de uma aliança programática, que coloca em primeiro plano os interesses do povo fluminense e brasileiro”, afirmou o ex-governador.
Eleito em 2018, Witzel passou pouco mais de um ano no comando do Executivo fluminense e foi afastado em 2020, enquanto era investigado por um esquema de desvio de recursos. Ele foi cassado em 2021 e foi condenado à inelegibilidade por cinco anos — prazo que termina antes das eleições deste ano, segundo o ex-governador.

