Tradicionalmente dividido em correntes e tendências, o PT rachou de vez na mais petista das cidades fluminenses, Maricá. Foi só o ex-prefeito Fabiano Horta confirmar sua pré-candidatura a deputado federal, para o mandachuva Washington Quaquá voltar sua artilharia contra o “aliado”.
A reação era mais que esperada. Quaquá vai lançar seu filho, o presidente estadual do PT, Diego Quaquá, além do presidente da Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), o ex-ministro Celso Pansera, na disputa por uma vaga na Câmara.
E a cidade é pequena demais para eleger três deputados federais.
A reação foi rápida. No lançamento de um shopping, na última sexta-feira (28), Quaquá não poupou o antecessor. Fabiano Horta não foi ao evento.
“O Fabiano me sucedeu na prefeitura e eu, de certa maneira, fui afastado de todas as decisões em Maricá. Aí, meu filho Diego foi vice-prefeito. Eu, através do Diego, tentei fazer umas coisas, como, por exemplo, o programa “O sol nasce para todos”. Pedi R$ 30 milhões, de um orçamento de R$ 7 bilhões, e o dinheiro não foi dado. Diego foi escanteado. Mas Deus sabe o que faz. Voltei a ser prefeito de Maricá”, disse Quaquá.
Em seguida, afirmou ter encontrado os programas sociais da cidade em situação de descontrole, com distribuição de benefícios sociais, como a moeda Mumbuca, até para mortos.
“Nós estamos fazendo visita de casa em casa. O que tem de morto recebendo Mumbuca! O que tem de gente que botou endereço em terreno baldio. O que tem de gente que não conseguimos achar, é uma enormidade”, denunciou.
Quaquá também tem criticado ex-secretário de Fabiano que está cotado para ministro
Mas o ex-prefeito não foi o único alvo. Quaquá também citou “um malandro que veio de Brasília” — e estaria se referindo a Leonardo Alves, ex-secretário de Planejamento. Em fevereiro de 2024, a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público contra Leonardo Alves, suspeitos de receber pagamentos de propina nos contratos de construção do Hospital Municipal Che Guevara.
“Lá no passado, um malandro que veio de Brasília pra cá, e vocês sabem de quem eu estou falando, tentou colocar o Fundo Soberano de Maricá no Banco Master. Master! Nós avisamos: não vamos entrar nessa merda, todos os nossos amigos do mercado financeiro estão avisando que essa merda vai quebrar! Não façam isso. Dois bilhões iriam para o Master, se a gente não interfere”, disse Quaquá.
Outro que está na mira do prefeito é Olavo Noleto, secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Maricá, entre 2019 e 2020, e presidente da Codemar de 2020 a 2022 — sempre em gestões de Fabiano, embora tenha sido indicado pelo próprio Quaquá.
Noleto foi secretário-executivo e número 2 de Alexandre Padilha na Secretaria de Relações Institucionais, tem sido alvo das críticas do prefeito em discursos e conversas. Ainda mais que o moço agora está em evidência: é pule de dez para substituir a poderosa Gleisi Hoffmann na pasta, quando a ministra deixar o cargo para se candidatar ao Senado pelo Paraná.

