A executiva estadual do PT, comandada por Diego Zeidan — filho do poderoso prefeito de Maricá, Washington Quaquá — divulgou nota, neste sábado (10), condenando o movimento de um grupo de petistas, que pretende fazer do secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano (PT), o candidato do partido ao governo do estado, quando Cláudio Castro (PL) renunciar para disputar uma vaga no Senado.
A preocupação da turma, formada por dirigentes nacionais, deputados federais e estaduais do partido — seria com a formação de um palanque forte para Lula no Estado do Rio, já que boa parte dos petistas diz não confiar no prefeito Eduardo Paes (PSD). O substituto de Castro será escolhido pela Assembleia Legislativa e vai comandar o estado até dezembro.
A nota, assinada pela executiva, no entanto, reafirma que Paes é o candidato do PT ao governo do estado e diz não reconhecer e desautorizar qualquer manifestação contrária.
“Nossa prioridade absoluta é derrotar o bolsonarismo e garantir a reeleição do presidente Lula. No Rio de Janeiro, isso passa pela construção de um palanque forte, amplo e competitivo, capaz de enfrentar a extrema-direita no seu berço”, diz a legenda da postagem nas redes sociais.
Ceciliano pretendia voltar à Assembleia Legislativa — e, quem sabe, à presidência da casa, cargo que ocupou entre 2017 e 2022. Sua família, assessores e o amigos mais próximos apoiam a ideia. Mas o chamado dos petistas mexeu com o homem.
Um encontro com Lula, nos próximos dias, deve selar a decisão.

Entrevista de Cavaliere acendeu o sinal de alerta para parte do PT
Capitaneado pela ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias — mas também integrado por deputados estaduais e federais — o grupo que pressiona Ceciliano diz estar convencido de que Paes não vai oferecer um palanque confiável a Lula.
A entrevista do vice-prefeito, Eduardo Cavaliere (PSD), ao jornal “O Globo”, publicada no dia 3 de dezembro, deixou os petistas de cabelo em pé. O moço — considerado pelos políticos uma réplica do prefeito — criticou o que chamou de “lero-lero do PT” na segurança e defendeu, com todas as letras, a neutralidade de Paes sobre Lula na campanha, para atrair apoios mais à direita.
A entrevista não repercutiu tanto porque foi publicada no mesmo dia em que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União), foi preso. Mas não passou despercebida.

