Na tensa política do Rio de Janeiro, mais uma confusão à vista no campo da centro-direita. Às vésperas do julgamento do ano no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e da primeira eleição indireta para governador na história da Assembleia Legislativa, os aliados do governo Cláudio Castro (PL) andam se estranhando — e muito — no berço do bolsonarismo.
A treta envolve — como sempre — a distribuição de espaço, tanto nos primeiros escalões da administração estadual quanto na própria Alerj.
Os governistas fazem as contas: o PL de Altineu Côrtes e Castro quer eleger Guilherme Delaroli no mandato-tampão; quer Douglas Ruas (que já é o pré-candidato a governador em outubro) na presidência da Assembleia; quer colocar o deputado Jair Bittencourt na poderosa Secretaria de Governo; quer o prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli, no Tribunal de Contas do Estado.
E por aí vai.
Para os outros partidos — especialmente a Federação União Progressista — nadica de nada. Como o PP comanda a superdotada Secretaria de Saúde, sofre menos. Mas o União… Amarga o escanteio.
Acontece que o União tem uma bancada grande e forte na Assembleia. E, hoje, está de mãos dadas com o candidato à presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro — tanto quanto o próprio partido do homem. Basta acompanhar os movimentos do União país afora, desde em redutos tradicionais no Nordeste até no Paraná, envolvendo Sérgio Moro.
O efeito Rueda nas planilhas dos entendidos
Levando-se em conta que a Assembleia está rachada, longe de uma unanimidade em torno de qualquer que seja o candidato a governador na eleição indireta — e que o voto será secreto, a não ser que o ministro Luiz Fux ou o plenário do Supremo Tribunal Federal mude a decisão — a insatisfação geral já preocupa os governistas mais antenados. E a insatisfação do União Brasil preocupa muito mais.
A matemática eleitoral é ciência para poucos. Mas a conclusão parece estar à vista de muitos.
Se o aliado se rebelar, até a presidência de Douglas na Alerj corre riscos — e imaginem se o candidato a governador pode se dar ao luxo de perder a eleição na sua própria casa legislativa.
No cenário atual, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, pode ser o fiel da balança nas mais críticas decisões sobre o futuro comando do Palácio Guanabara — e do Tiradentes.

