O prédio do antigo Banerj nem é daquelas construções que atravessam os séculos — e guardam os espíritos dos antigos habitantes. Mas a sede da Assembleia Legislativa tem mais fantasmas que muitos dos casarões históricos do Centro do Rio. Os mais recentes respondem pelo nome de Diretorias Regionais Metropolitanas de Educação, carinhosamente apelidadas de “Metros”.
A Secretaria Estadual de Educação foi administrada, durante longos anos, por indicados pelo ex-presidente da Assembleia Rodrigo Bacellar (União). E o poder foi dividido, em instâncias médias, com deputados da Casa. Não foram poucos os nobres parlamentares estaduais que indicaram os diretores das Metros nos seus redutos eleitorais.
Pois agora, em 2026, investigações em andamento apontam para um suposto esquema de fraudes, superfaturamento e uso de empresas de fachada em obras de escolas estaduais. E peças-chave na cadeia de crimes seriam, justamente, as Diretorias Regionais Metropolitanas de Educação. As denúncias indicam que mais de R$ 1 bilhão em repasses descentralizados foram utilizados de forma irregular.
Diretores de escolas e das Metros têm sido chamados para depor no Ministério Público.
E seus padrinhos vagam pelos corredores do Largo da Carioca, insones e assombrados.

