Uma radiografia da atual composição da Assembleia Legislativa (Alerj) ilustra, e explica, a mudança na correlação de forças na política do Estado do Rio — em especial, a força do voto da Baixada Fluminense e do interior. Daí o interesse dos pré-candidatos, como o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o deputado estadual Douglas Ruas (PL) , em aumentar a interação com os políticos (e eleitores) que estão além das fronteiras da capital.
Atualmente, 30% dos deputados estaduais foram eleitos com a maioria esmagadora de seus votos registrados no interior. E mais: 32%, com a ajuda dos eleitores da Baixada Fluminense. Enquanto isso, só 12 deputados (ou 17% do total) chegaram ao parlamento estadual com uma maioria destacada de votos originados na capital
“O peso da capital tem diminuído ao longo do tempo em termos eleitorais e, hoje, a cidade do Rio de Janeiro concentra 42% dos eleitores”, explica o cientista político Geraldo Tadeu, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), autor do estudo.
Agenda dominante da Alerj é a da Baixada Fluminense e do interior, não da capital
Como a força política no estado atualmente é muito mais determinada pela Baixada Fluminense, e, em seguida, pelo interior, a agenda predominante da Alerj não é a da capital.
“A gente pode falar de ‘fusão incompleta’. A dinâmica política na Capital é diferente das outras regiões. As agendas são diversas”, diz Tadeu.
Os políticos fluminenses sempre lembram a velha disputa: o antigo Estado do Rio versus antiga Guanabara. Parece que, agora, o primeiro está levando vantagem.

