A prescrição da denúncia do Ministério Público sobre o incêndio no CT do Ninho do Urubu, que impediu a punição ao ex-presidente do Flamengo e deputado federal, Bandeira de Mello (PSB-RJ), não foi a solução que ele e sua família esperavam.
Com quase seis anos sob indiciamento, o parlamentar criticou o que considera uma “cera” do MP, que, segundo ele, tem demorado para concluir o processo.
“Esse processo já dura quatro anos, e meu indiciamento tem quase seis. Minha família sofre muito com isso. As decisões e as provas apresentadas sempre foram favoráveis a mim. Mas a Promotoria, aparentemente incomodada com isso, empurrou com a barriga, e agora a denúncia prescreveu. E isso não era o que nós [ele e sua família] queríamos”, afirmou o parlamentar.
A decisão foi tomada pelo juiz Tiago Fernandes de Barros, da 36ª Vara Criminal, e foi justificada pela prescrição da denúncia do MP, feita em janeiro de 2021, e pela idade avançada do ex-dirigente.
‘Celeridade do processo’
A demora do MP em concluir o processo, segundo Bandeira e sua família, pode ser vista como mais um caso de impunidade no país. Em nota oficial, ele destacou que sua equipe sempre atuou dentro dos prazos estabelecidos para “promover a celeridade do processo” e que, após anos de indiciamento, todos mereciam uma resposta.
“Após seis anos de dor, entendo que todos merecemos uma resposta que possa aplacar, ainda que minimamente, esse imenso sofrimento. Partes, torcedores, público em geral e, principalmente, as famílias das vítimas merecem essa resposta”, disse em trecho da nota.
Último acordo com as famílias
Nesta quarta-feira (5), o Clube de Regatas do Flamengo celebrou o acordo com os pais de Christian Esmério, goleiro que era uma das 10 vítimas fatais do incêndio. A família de Christian foi a única entre as das vítimas que ainda não havia sido indenizada.
Com a prescrição do caso, Bandeira afirmou que se reunirá com sua equipe de defesa para analisar os próximos passos e entender o que ainda pode ser feito para proteger seus direitos. Ele finalizou destacando que segue confiando no trabalho sério da Justiça e permanecendo convicto de sua inocência.
O incêndio no Ninho do Urubu
O incêndio aconteceu em 8 de fevereiro de 2019, no alojamento do Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo. O fogo resultou na morte de 10 jovens atletas da base do clube, com idades entre 14 e 16 anos. O incêndio foi causado por um curto-circuito em um ar-condicionado com instalação inadequada.