Representantes de entidades empresariais e da sociedade civil do Estado do Rio deixaram o Palácio Guanabara, na semana passada, com mais do que impaciência: saíram com a sensação de déjà-vu institucional. Após mais de uma hora de atraso, a aguardada reunião de apresentação do Programa Sentinela começou sem aquilo que muitos consideravam essencial — a presença do governador Cláudio Castro (PL), que está às vésperas de deixar o governo.
Lideranças disseram estar cansadas de serem convocadas para compor “plateias qualificadas” em eventos que prometem protagonismo técnico, mas acabam entregando esvaziamento político.
A ausência do chefe do executivo, segundo relatos, deixou a impressão de que nem mesmo um projeto anunciado como o maior da América Latina em tecnologia aplicada à segurança pública merece prioridade na agenda principal do governo.
Também chamou atenção o esvaziamento do evento, realizado no último dia 2. Nomes inicialmente previstos na lista enviada para as entidades, como o de Vinicius Farah, secretário de Desenvolvimento Econômico; e o de Nicola Miccioni, chefe da Casa Civil; acabaram substituídos por representantes de segundo escalão.
Ainda coube ao secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo Menezes abrir o encontro sobre o Sentinela — mas ele logo passou a palavra para o assessor especial do governador, Fernando Cezar Hakme, que apresentou o programa.
O projeto promete integrar os 92 municípios fluminenses, com a instalação de mais de 200 mil câmeras e equipamentos de última geração, ao custo de R$ 2 bilhões.
Enquanto faltaram pontualidade e presença de peso, ao menos sobraram comida e bebida.
Se é que alguém estava lá por causa disso.

